A cafeicultura paulista consolida um ciclo de forte recuperação produtiva em 2026. Conforme os números do terceiro levantamento da safra brasileira de café divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e monitorado pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), a colheita do estado está projetada em 6,2 milhões de sacas de café beneficiado. O volume representa um expressivo salto de 30,6% em comparação com as 4,74 milhões de sacas registradas na safra de 2025.
Em relação à estimativa anterior da Conab, elaborada em maio deste ano, o volume paulista teve um ajuste positivo de 4,9%. A área total ocupada com cafezais no território paulista avançou 2,9%, totalizando 204,1 mil hectares.
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O principal propulsor do salto na produção foi a melhora vertical no rendimento agronômico: a produtividade média saltou de 24,18 para 30,87 sacas por hectare, o que significa um avanço de 27,7% no rendimento físico frente ao ciclo anterior. O resultado foi garantido pelo regime hídrico favorável na maior parte do estado, com precipitações bem distribuídas e temperaturas amenas durante as fases de floração e enchimento dos frutos.
Disparidades regionais: Franca tem grãos nobres e Alta Mogiana enfrenta chuvas
Apesar do balanço estadual expressivo, o comportamento das lavouras apresentou dinâmicas distintas entre as regiões produtoras:
Franca: O predomínio de tempo seco e temperaturas elevadas no período decisivo favoreceu a maturação uniforme e a secagem nos terreiros, assegurando lotes com ótimo padrão de bebida e qualidade comercial;
Alta Mogiana: A ocorrência de precipitações atípicas entre junho e agosto atrasou a maturação plena, gerando perdas pontuais de rendimento na secagem e na classificação de alguns lotes. Ainda assim, a média regional encerrou o ciclo com desempenho considerado satisfatório.
Produção brasileira sobe 19,6% e atinge 67,6 milhões de sacas
Em nível nacional, o levantamento da Conab projeta a safra brasileira total de café em 67,6 milhões de sacas beneficiadas, avanço de 19,6% sobre 2025 e acréscimo de 5,3% frente à rodada anterior. A melhora decorre do pacote tecnológico intensivo, adubação equilibrada e clima cooperativo. A área nacional destinada à atividade alcança 2,35 milhões de hectares, com rendimento médio brasileiro projetado em 34,62 sacas por hectare (+13,8%).
O café arábica lidera o movimento impulsionado pelo ano de bem-vinda bienalidade positiva, com estimativa de 48,2 milhões de sacas (+34,8%) e rendimento médio de 30,79 sacas por hectare (+28%).
Em contrapartida, o café conilon (robusta) deve somar 19,4 milhões de sacas, apontando uma retração de 6,6% em relação a 2025. Embora a área de cultivo do conilon tenha crescido 6,8%, a produtividade média caiu 10,2%, situando-se em 50,16 sacas por hectare.
Entre os estados produtores, Minas Gerais mantém a dianteira isolada no ranking nacional, com safra estimada em 35,6 milhões de sacas, uma disparada de 38,2% frente a 2025, alicerçada no ciclo de alta produtividade do arábica no Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas de Minas.
