A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) emitiu um comunicado de alerta aos produtores rurais diante da severa instabilidade climática e dos choques térmicos previstos para os próximos dias em todo o território paulista. A conjuntura atmosférica combina o ápice de uma massa de ar quente e seco com a posterior chegada de uma frente fria vigorosa impulsionada por um ciclone extratropical no Sul do país.
Neste início de semana, a atuação de uma massa de ar seco e quente associada aos reflexos do El Niño eleva os termômetros a marcas extremas, podendo atingir até 40°C em municípios do interior nesta terça-feira (29). Contudo, a estabilidade atmosférica será rompida bruscamente a partir de quarta-feira (30). A aproximação do sistema frontal trará temporais generalizados, chuva volumosa concentrada, precipitação de granizo e rajadas de vento que podem ultrapassar os 100 km/h, seguidas por um declínio térmico acentuado.
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Embora a reposição hídrica no solo seja estratégica para o plantio e o manejo dos canaviais e pastagens, a violência da transição meteorológica amplia os riscos operacionais, patrimoniais e biológicos nas propriedades agrícolas.
Protocolos preventivos para o campo
Para mitigar perdas e assegurar a integridade das instalações, rebanhos e lavouras, a entidade recomenda a execução de ações de contingência em cinco áreas prioritárias.
No manejo e bem-estar animal, a orientação para o período de pico do calor exige fornecimento irrestrito de água limpa e sombreamento natural ou artificial para minimizar o estresse térmico em bovinos de corte, leite e plantéis avícolas. Com o início das tempestades, os criadores devem evitar a aglomeração de animais sob árvores isoladas ou encostados em cercas com arame metálico, reduzindo a incidência de descargas elétricas.
Na prevenção contra incêndios, o ar seco e as temperaturas extremas elevam o índice de queima da vegetação ao nível crítico. A Faesp reitera a proibição do uso de fogo, orientando a checagem rigorosa de aceiros e a manutenção preventiva de caminhões-pipa e tanques tracionados para contenção imediata de eventuais focos.
Em relação à infraestrutura e maquinário, as equipes de campo devem revisar antecipadamente as travas e fixações de coberturas em barracões de ordenha, granjas, estufas hortícolas e silos de grãos. Frotas de tratores, pulverizadores e implementos agrícolas devem permanecer abrigadas em hangares protegidos, distantes de árvores suscetíveis a tombamento.
Na conservação do solo e drenagem, a recomendação é inspecionar bacias de contenção, curvas de nível, terraços e canais de escoamento para controlar o volume das enxurradas e impedir a perda de matéria orgânica e fertilizantes por erosão laminar em chuvas de alta intensidade horária.
Por fim, no manejo fitossanitário, os produtores rurais devem suspender as pulverizações de defensivos e aplicações de nutrientes foliares sob vento excessivo — para evitar deriva e perdas de calda — ou na iminência de precipitações intensas, que causam a lavagem das aplicações.
Os Sindicatos Rurais vinculados ao Sistema Faesp/Senar-SP mantêm monitoramento regional ativo para dar suporte aos produtores, em coordenação contínua com os boletins de contingência da Defesa Civil estadual.
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