A pecuária de corte da América do Sul recebeu uma sinalização comercial estratégica vinda de Washington. Em anúncio oficial destacado pelo informativo da consultoria TF Agroeconômica, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a carne bovina a ser importada pelo país virá prioritariamente do Brasil e da Argentina. A declaração ocorreu durante a assinatura de duas ordens executivas direcionadas à reestruturação da cadeia pecuária norte-americana, em meio à forte pressão inflacionária sobre as proteínas no varejo dos Estados Unidos.
Ao justificar a preferência pelas origens sul-americanas, o presidente norte-americano elogiou o padrão sanitário e zootécnico dos rebanhos vizinhos, classificando os produtos como de alta qualidade e com rígido controle higiênico. Trump frisou que os Estados Unidos contam com inspetores destacados em território estrangeiro para auditar os processos frigoríficos e garantir a conformidade dos embarques.
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A manifestação consolida a etapa prática de um plano anunciado anteriormente pela Casa Branca voltado à ampliação da oferta doméstica por meio da suspensão de tarifas alfandegárias sobre determinadas importações do produto. Embora a regra de isenção já estivesse em vigor, a administração norte-americana ainda não havia especificado formalmente quais países comporiam a base prioritária de fornecimento.
Condições de acesso e salvaguardas internas
De acordo com o levantamento da TF Agroeconômica, o governo dos Estados Unidos ponderou que as importações ocorrerão de maneira dosada e controlada, uma vez que a pecuária local ainda atende a maior fatia do consumo doméstico.
Junto ao aceno para a carne de Brasil e Argentina, o pacote da Casa Branca instituiu novas diretrizes de salvaguarda interna:
Rastreabilidade obrigatória: Exigência expressa de etiquetagem de rotulagem com o país de origem em toda carne bovina estrangeira vendida ao consumidor final nos Estados Unidos;
Descentralização do abate: Criação de programa específico autorizando produtores norte-americanos de menor escala a abater, processar e vender diretamente suas carcaças, buscando reduzir a dependência das grandes corporações do setor;
Participação compartilhada: Apesar do favoritismo concedido aos cortes brasileiros e argentinos, outros polos produtores mundiais poderão participar das cotas residuais de suprimento.
A abertura do canal norte-americano coincide com um momento de recomposição de margens na pecuária doméstica, onde a cotação da arroba do boi gordo sinalizou estabilidade ao redor de R$ 347,70, acumulando ligeira alta mensal de 0,96%. O avanço das exportações de proteína agrega valor indireto a toda a cadeia de ração e confinamento, que consome o milho colhido no país.
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