A implantação e utilização das pastagens de inverno configuram uma das janelas cronológicas mais estratégicas para a engorda e o manejo de bovinos de corte e leite no Rio Grande do Sul. No entanto, a transição entre as estações e a consequente introdução do rebanho em novas áreas de pastejo acionam um alerta sanitário crucial: o risco de infestações parasitárias severas. Estudos do setor apontam que os prejuízos globais causados por parasitas internos e externos na pecuária brasileira rompem a barreira de R$ 70 bilhões anuais, operando como um ralo silencioso na conversão alimentar e na lucratividade das fazendas.
Durante o início do ciclo das forragens de clima frio, as condições ambientais e o adensamento de carga animal nos piquetes podem potencializar a exposição dos bovinos a formas infectantes (larvas e ovos) presentes na base do solo e das plantas. Quando o controle preventivo é negligenciado dentro do calendário de manejo, os parasitas passam a comprometer diretamente o ganho de peso médio diário (GMD), a eficiência reprodutiva e a capacidade de absorção de macro e micronutrientes, neutralizando os investimentos realizados pelo pecuarista em genética e pastagens de alto valor biológico.
Aprosoja MT exalta protagonismo do produtor rural no desenvolvimento do país
Saúde respiratória de cavalos exige atenção reforçada nos meses frios
Farsul alerta sobre novas regras para adiar dividas do credito rural
Desafios climáticos e o impacto na imunidade
O período de pastejo invernal em solo gaúcho impõe desafios metabólicos adicionais aos plantéis. A ocorrência sistemática de geadas, o excesso de umidade na lâmina foliar e as oscilações bruscas na qualidade nutricional das forrageiras exigem respostas imunológicas complexas dos animais. Nesse cenário de estresse climático, assegurar que os animais entrem nos piquetes protegidos e limpos de endectocidas e nematódeos gastrointestinais é o que determina se o lote conseguirá extrair o potencial máximo de proteína e energia disponível no pasto.
Especialistas em saúde animal ressaltam que o controle parasitário contemporâneo superou a antiga visão de caráter meramente curativo — aplicada apenas quando os sintomas clínicos ou as altas infestações visuais se manifestam. A governança sanitária de precisão exige abordagens preventivas e o uso de princípios ativos estratégicos com amplo espectro e efeito residual prolongado (como a doramectina, o levamisole e a moxidectina). A rotação técnica e consciente dessas moléculas atua de forma cirúrgica na quebra do ciclo evolutivo das pragas e previne o avanço da resistência parasitária nas pastagens.
Assistência técnica e planejamento preditivo
Para mitigar o impacto financeiro nas propriedades, os pecuaristas têm buscado suporte técnico especializado para desenhar programas de sanidade customizados, alinhados à realidade epidemiológica de cada microrregião do estado. A combinação de exames periódicos (como o OPG - Ovos por Grama de Fezes), monitoramento constante dos lotes e cronogramas de dosificação planejados cria uma blindagem biológica eficiente. Essa estrutura permite uma atividade pecuária mais sustentável, blindando o caixa do produtor contra perdas imperceptíveis e preparando o rebanho para os picos de produção de carne e leite ao longo de todo o ano.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
