Segundo levantamento técnico divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o padrão pluviométrico observado durante o mês de outubro no cinturão citrícola de São Paulo gerou impactos contrastantes para o setor. Enquanto a colheita em andamento da safra 2026/27 segue penalizada por perdas de qualidade, a manutenção da umidade no solo e as temperaturas mais amenas estabelecem um ambiente promissor para a estruturação das árvores e o desenvolvimento da safra 2027/28, que se encontra em estágio inicial de formação.
Agentes de mercado consultados pelo Centro de Pesquisas relatam que os lotes colhidos nos pomares paulistas apresentam padrão qualitativo inferior ao observado nos pomares do polo citrícola de Minas Gerais. O excesso de precipitações provocou redução na concentração de açúcares (Brix), além de registros localizados de frutas cristalizadas, alterações no tamanho dos frutos e defeitos na textura e aparência externa da casca.
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Retração nas compras industriais e mercado físico desacelerado
A diminuição do Brix interfere diretamente na dinâmica fabril, pois exige maior volume de caixas de frutas para a extração da mesma quantidade de suco concentrado congelado (FCOJ). Em virtude dessa defasagem, as unidades industriais reduziram a atratividade por novos lotes de balcão e mantêm atuação contida no mercado spot, priorizando o cumprimento estrito das entregas programadas sob contratos de fornecimento prévio. Ainda assim, o Cepea pondera que tal panorama não é uniforme, persistindo microrregiões paulistas onde a qualidade da fruta permanece satisfatória e dentro dos parâmetros comerciais.
O ritmo das negociações no campo apresentou desaceleração nos últimos dias. Além das barreiras técnicas impostas pela oscilação qualitativa das frutas e pela cautela dos compradores industriais e de mesa, o calendário comercial foi influenciado pelo compasso de espera gerado pelo período eleitoral e pela proximidade do feriado prolongado de Finados.
Compradores e citricultores acompanham de perto o avanço das frentes de colheita nas próximas semanas, avaliando o comportamento do clima para dimensionar os ajustes nas tabelas de preços e a resposta produtiva dos pomares para o próximo ciclo produtivo.
