A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) enviou à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) duas propostas de emenda à Medida Provisória nº 1.376/2026, texto do Executivo que disciplina as linhas de renegociação de dívidas rurais. A ação busca corrigir travas operacionais da norma publicada em julho. Diagnóstico da Assessoria Econômica da Farsul revelou que, do saldo devedor analisado de R$ 93 milhões em contratos rurais, apenas 11,7% (R$ 10,85 milhões) conseguiam se enquadrar na redação original da MP.
Com as emendas prontas para apresentação no Congresso Nacional, a Farsul projeta que a proporção de agricultores e pecuaristas gaúchos aptos a renegociar seus débitos passará dos atuais 10% para cerca de 90%. A medida é urgente para o estado que, embora ostente uma das menores taxas de inadimplência rural do País (5,3%), concentra a maior carteira de crédito rural problemática em valor absoluto: R$ 39,9 bilhões, quase o dobro do segundo colocado nacional.
Prazo de entrega da declaração do ITR 2026 encerra em setembro
Crédito rural definirá ritmo das vendas de máquinas agrícolas, avalia Agritech
Apagões da Copel no Paraná geram custos de até R$ 8 mil ao dia para produtores
As frentes de mudança nas regras de renegociação
A primeira proposta de emenda altera múltiplos artigos da MP para resolver distorções regulatórias e comerciais:
Inclusão da CPR: Estende as condições de custeio com juros controlados (6% a 12% ao ano) às Cédulas de Produto Rural (CPR), englobando títulos emitidos em favor de cooperativas, revendas e distribuidores de insumos, e não apenas de bancos;
Investimentos e Capital de Giro: Permite a repactuação de parcelas de investimentos renegociadas por aditivo e cria uma modalidade para operações de capital de giro vinculadas à atividade agropecuária;
Fim de datas defasadas: Substitui a data-limite de 31 de maio de 2026 por critérios vinculados à data de contratação da nova linha de crédito;
Exceção à reincidência: Autoriza nova repactuação para quem já havia acionado a MP 1.314/2025, desde que comprovado novo evento de perda climática.
A segunda proposta de emenda atende diretamente os produtores de grãos ao flexibilizar a comprovação de perdas de renda. Na ausência de laudo técnico individualizado por escassez de profissionais na região, o texto autoriza o uso de atestados e relatórios da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (Infraestrutura VMG), gerida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A Farsul mantém atuação coordenada no Legislativo para emplacar as mudanças até o fim do prazo regimental de emendas, ao mesmo tempo em que dialoga com o Ministério da Fazenda por um texto definitivo e abrangente.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
