O setor apícola brasileiro deu um passo relevante na diversificação de seus mercados externos ao movimentar US$ 10,25 milhões em acordos e prospecções comerciais durante a edição Mel e Própolis do programa Exporta Mais Brasil. Organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a iniciativa ocorreu nos dias 17 e 18 de setembro na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), em Fortaleza, totalizando US$ 4,5 milhões em contratos fechados de forma imediata ao longo de 157 rodadas de negócios.
O evento congregou 22 empresas brasileiras com 11 compradores internacionais vindos de dez mercados-alvo: Alemanha, Arábia Saudita, China, Estados Unidos, Israel, Itália, Líbano, Malásia, Polônia e Suíça. A estratégia comercial incluiu uma imersão prévia no campo, com visitas técnicas e seminários em Juazeiro do Norte e no Apiário Arneiroz, onde a comitiva estrangeira acompanhou as etapas de manejo das abelhas e a colheita do mel nativo da Caatinga, modelo sustentado pela apicultura familiar do semiárido.
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Liderança orgânica e diversificação da pauta
O Brasil detém a liderança global na produção de mel orgânico certificado, atributo impulsionado pela rusticidade das abelhas africanizadas e pela ausência de defensivos químicos no bioma nativo. Atualmente, os Estados Unidos figuram como o principal importador do insumo brasileiro, absorvendo 81,2% de todo o seu suprimento orgânico no mercado nacional.
A dinâmica de expansão do setor apoia-se em indicadores sólidos de produção e comércio exterior:
Desempenho nacional e regional: A safra apícola brasileira atingiu 67,3 mil toneladas em 2024, de acordo com o IBGE, com o Ceará ocupando o posto de sexto maior produtor nacional, movimentando R$ 74,1 milhões ao ano;
Faturamento nas exportações: De janeiro a julho de 2026, as vendas externas brasileiras de mel e derivados somaram US$ 80,8 milhões (22,8 mil toneladas), acusando avanço de 9% em valor na comparação com igual período anterior;
Conquista de novas fronteiras: A atração de importadores europeus e árabes visa reduzir a concentração nas compras norte-americanas, ancorando-se no Programa de Padronização da Cadeia Apícola Nacional e nos sistemas de rastreabilidade da origem.
Reconhecimento das características sensoriais
A singularidade botânica brasileira foi ressaltada pelos representantes das tradings internacionais. Kamil Opiela, comprador polonês, frisou a intenção de diversificar o suprimento da União Europeia a partir do padrão sensorial do produto nacional. Na mesma linha, o importador saudita Alah Almed apontou o potencial mercadológico de variedades monoflorais típicas do país, a exemplo do mel de aroeira.
Para Sergio Pereira, porta-voz da ApexBrasil, aproximar a produção regional das redes de distribuição globais chancela a biodiversidade nacional como ativo econômico diferenciado e de alto valor agregado no cenário internacional.
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