O Rio Grande do Sul segue sem registros ativos da Doença de Newcastle (DNC), enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves e exige atenção permanente dos órgãos de defesa sanitária. Diante dos focos identificados em Santa Catarina, o Estado mantém as ações de vigilância e reforça a importância das medidas de biosseguridade nas propriedades avícolas para preservar a sanidade dos plantéis e a atividade produtiva.
Em entrevista ao Portal Rural News, a médica-veterinária Alessandra Krein, que atua na Coordenação de Sanidade Avícola da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi), destacou que o cenário sanitário gaúcho permanece controlado.
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"Atualmente o Rio Grande do Sul não tem focos de Doença de Newcastle (DNC). O último foco de DNC no RS ocorreu em Anta Gorda em 2024, encerrado no mesmo ano", afirmou.
Segundo a especialista, os registros em Santa Catarina estão sendo acompanhados pelos órgãos responsáveis, com medidas destinadas a conter a circulação do vírus e evitar sua disseminação para outras regiões.
"Os focos de Santa Catarina estão sendo trabalhados para contingência dessa emergência sanitária pelo órgão estadual, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC), e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)", explicou.Alessandra ressaltou que a identificação dos focos e a adoção de medidas sanitárias nas áreas afetadas representam mecanismos importantes de proteção para os demais estados brasileiros.
"Na área de emergência existem restrições de trânsito, que servem para assegurar que a doença não seja levada daquela região para outras", acrescentou.
Vigilância sanitária permanente
O trabalho de prevenção realizado pelo serviço veterinário oficial gaúcho vem sendo intensificado nos últimos anos, especialmente diante dos desafios sanitários enfrentados pela avicultura brasileira.
De acordo com Alessandra, o Estado ampliou as ações de vistoria nas propriedades desde o início de 2023, após a confirmação da presença da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves silvestres na Colômbia, em outubro de 2022.
A estratégia busca fortalecer a prevenção, identificar possíveis situações de risco e orientar os produtores quanto aos cuidados necessários para impedir a entrada de agentes infecciosos nos estabelecimentos avícolas.
A médica-veterinária reforça que a biosseguridade continua sendo a principal ferramenta de proteção das propriedades.
"Os produtores devem manter o nível máximo de isolamento das granjas avícolas contra a entrada de animais silvestres ou domésticos, bem como as demais medidas que evitam a entrada de doenças", orientou.
Entre as principais recomendações estão a utilização de roupas e calçados limpos por profissionais que acessam as propriedades, a desinfecção de veículos, a manutenção das cercas e telas de proteção dos aviários e o controle da qualidade da água fornecida às aves.
Também são fundamentais a proteção dos alimentos contra o acesso de outros animais, a manutenção das áreas próximas aos galpões livres de entulhos e vegetação alta e a adoção de procedimentos que evitem o transporte de materiais contaminados por pessoas e equipamentos.
Conforme a orientação técnica da Seapi, a água destinada ao consumo das aves deve apresentar concentração mínima de cloro de 3 ppm, enquanto frestas superiores a 2,5 centímetros nos aviários precisam ser vedadas para impedir a entrada de aves silvestres.
Movimentação de aves e vacinação
Apesar dos focos registrados em Santa Catarina, as restrições à movimentação de aves e produtos avícolas estão concentradas na área de emergência sanitária definida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
A Seapi também destaca a importância da vacinação como parte das estratégias de prevenção da doença.
No Brasil, a vacinação sistemática contra a Doença de Newcastle é obrigatória para aves de postura comercial e reprodutoras. Já os estabelecimentos de frangos de corte que realizarem a vacinação devem informar obrigatoriamente a atividade ao Serviço Veterinário Oficial do Estado.
Segundo Alessandra, as medidas de biosseguridade adotadas continuam sendo essenciais para prevenir a entrada de enfermidades, inclusive após a experiência do foco registrado em Anta Gorda, em 2024. Rio Grande do Sul mantém acesso à maioria dos mercados internacionais
Além da preocupação sanitária, os registros da Doença de Newcastle também exigem atenção quanto aos possíveis reflexos comerciais para a cadeia avícola brasileira.
Entretanto, conforme as informações repassadas pela Coordenação de Sanidade Avícola da Seapi, as restrições às exportações decorrentes dos focos em Santa Catarina foram, em grande parte, regionalizadas, permitindo a continuidade das operações comerciais de outras regiões produtoras.
Até o dia 3 de novembro, Uruguai, Malásia e México ainda mantinham restrições abrangendo todo o território brasileiro. Posteriormente, o México atualizou sua medida, limitando a restrição ao estado de Santa Catarina.
Com isso, o Rio Grande do Sul segue habilitado para a maioria dos mercados internacionais, desde que seja comprovada a origem das aves.
O cenário evidencia a importância dos mecanismos de regionalização sanitária, que permitem diferenciar áreas afetadas e não afetadas por determinada enfermidade, contribuindo para a continuidade das exportações.
Para uma avaliação mais detalhada dos impactos comerciais, a Seapi orienta a consulta à Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), entidade representativa do setor.
Identificação precoce e notificação são fundamentais
A orientação aos produtores é manter atenção permanente às condições sanitárias dos plantéis e comunicar imediatamente qualquer suspeita de Doença de Newcastle ou Influenza Aviária de Alta Patogenicidade.
Entre os principais sinais de alerta estão mortalidade elevada, dificuldade respiratória, secreções nasais e oculares, diarreia, torcicolo, falta de coordenação motora, dificuldade de locomoção e alterações na coloração da crista e da barbela das aves.
Diante de qualquer suspeita, o produtor deve acionar o Serviço Veterinário Oficial, evitando a movimentação de animais até receber orientação técnica.
No Rio Grande do Sul, as notificações podem ser realizadas diretamente nas Inspetorias de Defesa Agropecuária dos municípios, pelo sistema e-SISBRAVET ou pelo WhatsApp NOTIFICA da Seapi, no número (51) 98445-2033.
