A canola mantém perspectivas de retorno financeiro positivo no Rio Grande do Sul e fortalece seu espaço no planejamento das propriedades, apesar das perdas provocadas pelas condições climáticas nesta safra. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola), Vantuir Scarantti, que destaca a integração da cadeia produtiva e demonstra confiança na expansão da cultura em 2027.
“Eu não tenho dúvidas que teremos um crescimento bem importante”, afirma o dirigente, em entrevista ao Portal Rural News.
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O protagonismo gaúcho aparece no acompanhamento quinzenal da entidade, emitido em 30 de outubro. O Rio Grande do Sul soma 385 mil hectares de canola, aproximadamente 95% dos 405 mil hectares cultivados no Brasil. A produção potencial estadual está estimada em 462 mil toneladas, com rendimento médio de 1.200 quilos por hectare.
No país, a projeção é de 485,88 mil toneladas. Na data do boletim, 85% da área brasileira estava colhida e os 15% restantes encontravam-se em maturação.
Manejo e condições locais fazem diferença
Segundo Scarantti, os resultados desta temporada variam entre as regiões. A expectativa inicial era de aproximadamente 1.600 quilos por hectare, mas ventos fortes e granizo, especialmente nas Missões e no Noroeste, reduziram o potencial produtivo.
“Em contrapartida, propriedades que adotaram o manejo recomendado e não foram atingidas pelo granizo registraram resultados superiores”, comenta. Nesses casos, o dirigente relata “médias até de 2.000 quilos por hectare”.
Quanto ao andamento dos trabalhos, Scarantti informa que a colheita está concluída no Noroeste. Nas Missões, restam áreas a serem retiradas após a melhora das condições climáticas. No Norte, há lavouras pontuais, enquanto a região Sul está no início das operações.
Qualidade dos grãos sustenta avaliação positiva
As adversidades exigiram uma força-tarefa para retirar a produção do campo. Conforme o presidente da Abrascanola, a antecipação da colheita resultou em lotes com maior umidade e presença de impurezas, ampliando a necessidade de cuidados no recebimento e no beneficiamento.
“Após o processamento, entretanto, a avaliação é favorável. O grão está com uma qualidade boa”, ressalta Scarantti. Segundo ele, o teor de óleo também está dentro do esperado.
Para as lavouras ainda não colhidas, a Abrascanola recomenda aproveitar as janelas de menor umidade dos grãos, regular as colhedoras para reduzir perdas e organizar a secagem e o armazenamento.
Renda no inverno reforça atratividade
Na avaliação de Scarantti, a canola segue como uma alternativa de renda no inverno, com resultados que dependem da produtividade, dos custos e das condições de cada propriedade.
O dirigente cita o exemplo de um produtor com investimento em tecnologia que colheu entre 20 e 30 sacos por hectare em diferentes áreas, alcançando média de 25 sacos.
“O custo total dele foi em torno de 18 sacos/ha”, explica. “Mesmo assim, sobrou sete sacos.”
Conforme o relato, o resultado financeiro nesse exemplo ficou próximo de R$ 1.000 por hectare. Para situações com produtividade de 22 a 23 sacos, Scarantti aponta margens de quatro a cinco sacos por hectare.
Benefícios à soja e planejamento antecipado
A contribuição da canola também se estende à cultura seguinte. Segundo a Abrascanola, a liberação rápida de nutrientes dos resíduos pode favorecer o desenvolvimento da soja em sucessão, agregando benefícios ao sistema produtivo.
Ao mesmo tempo, novembro marca o início da organização dos projetos para o próximo ciclo. “É o momento do produtor já fazer planejamento”, orienta.
Entre os pontos de atenção estão o histórico de herbicidas utilizados nas áreas e os custos de implantação. Para o presidente da Abrascanola, o trabalho conjunto entre produtores, cerealistas, cooperativas e indústrias contribui para aprimorar o manejo, a circulação de informações e as decisões de comercialização, sustentando as perspectivas de crescimento em 2027.
