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Após temporais, FAEP pede fundo estadual de catástrofe no Paraná

Após temporais, FAEP pede fundo estadual de catástrofe no Paraná

Ofício ao governo estadual pede socorro sem burocracia após temporais causarem estragos em 87 municípios e atingirem lavouras e estradas
Após temporais, FAEP pede fundo estadual de catástrofe no Paraná
Estradas rurais e pontes destruídas por chuvas torrenciais no Paraná reforçam pedido da FAEP para criação de fundo de catástrofe.
Foto do autor Jair Reinaldo
Publicado em:

O Sistema FAEP/Senar-PR formalizou, nesta sexta-feira (6), um apelo direto ao Poder Executivo estadual diante da escalada de desastres climáticos que atingem a produção agropecuária. Em ofício enviado ao governador Carlos Massa Ratinho Junior, a entidade propôs a estruturação e implantação emergencial de um Fundo Estadual de Catástrofe voltado especificamente a atender agricultores e pecuaristas atingidos por intempéries severas, como chuvas torrenciais, granizo, vendavais e tornados.

A finalidade central do fundo é garantir liquidez ágil e canalização direta de recursos públicos para recompor a capacidade operacional das propriedades, financiando o restabelecimento de barracões, recomposição de curvas de nível erodidas, reparo ou aquisição de maquinários e compra de novas sementes e insumos para replantio imediato.

“O produtor rural trabalha a céu aberto e não tem como se proteger de um tornado ou de temporais como os registrados recentemente em todo o Paraná. Nestes casos, os agricultores e pecuaristas precisam de uma resposta rápida do Estado para voltar a produzir. Um fundo estruturado, com recursos garantidos, é o caminho para que essa ajuda chegue sem burocracia”, sustenta o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Estatísticas da Defesa Civil Estadual embasam a urgência do pleito: apenas nos seis primeiros dias de novembro de 2026, foram registradas 94 ocorrências de eventos climáticos críticos distribuídas por 87 municípios, contabilizando prejuízos materiais de R$ 38,4 milhões e afetando mais de 30 mil cidadãos. No meio rural, as lavouras de inverno já somam quebra média de 25% de produtividade, enquanto a safra de verão recém-instalada sofre com alagamentos e necessidade de replantio forçado.

O documento remetido ao Palácio Iguaçu faz ainda um alerta macroeconômico: os R$ 14 bilhões registrados em saldo problemático do crédito rural dentro do Paraná tendem a inflar expressivamente com as novas perdas. “Estamos perdendo décadas de avanços em sistemas de produção qualificados em questão de meses. Precisamos urgentemente de um plano estruturado que minimamente permita recompor o setor diante de perdas sucessivas”, adverte Meneguette.

Devastação no Norte Pioneiro e Centro-Norte

Os impactos de campo revelam danos severos ao patrimônio físico do meio rural. No Norte Pioneiro, o município de Ribeirão Claro registrou índices pluviométricos superiores a 200 milímetros em menos de 24 horas entre 4 e 5 de novembro. O presidente do Sindicato Rural local, Marcos Minghini Loureiro, relatou destruição de terraços e curvas de nível de 1,70 metro de altura, morte de plantas de milho por anoxia radicular e interdição da ponte estadual que liga a Carlópolis.

“O que mais dói é ver erosão, porque é o seu patrimônio que vai embora e nunca mais volta”, pontua Minghini, ressaltando que o fundo estadual é vital para desatar o nó da reconstrução de acessos vicinais.

Em Santo Antônio da Platina, o presidente do Sindicato Rural, José Afonso Júnior, detalha que o transbordamento de córregos cobriu a ponte que corta o bairro rural Água Branca, ilhando famílias e interrompendo o fluxo essencial de caminhões de leite, carretas de ração para granjas e transporte escolar. “Se o Estado tiver uma reserva para apoiar os municípios e as áreas rurais que sofrem com situações como essas, agilizaria. Quando tem que depender de licitação e toda essa burocracia, vai meses até liberar, e aí o produtor já teve prejuízo irreversível”, lamenta.

No Norte Central, em Astorga, o vendaval ocorrido em 2 de novembro destelhou dezenas de galpões e dilacerou lavouras jovens de soja no distrito de Tupinambá. O líder sindical Júlio Toshimitsu ressaltou que a lentidão na vistoria de peritos das seguradoras privadas atrasa a liberação dos talhões para a ressemeadura, encurtando perigosamente a janela agronômica da safra.

Lições do tornado no Centro-Sul

A proposta da FAEP busca também reparar distorções institucionais como a ocorrida há um ano após a passagem de um violento tornado pela região Centro-Sul do Estado. Na ocasião, cerca de 600 propriedades rurais sofreram destruição generalizada em múltiplos municípios, mas apenas Rio Bonito do Iguaçu decretou estado de calamidade pública, tornando-se o único polo amparado por socorros estaduais. Produtores de municípios vizinhos igualmente devastados — como Laranjeiras do Sul, Virmond, Porto Barreiro e Candói — ficaram completamente desassistidos, recorda o presidente do Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul, Eliseu Fernando Telli.

“O que vivemos em Rio Bonito do Iguaçu e o que vemos agora em tantas regiões do Paraná mostra que o produtor não pode depender de a situação ser enquadrada em critérios burocráticos para ser socorrido. Com um fundo, o apoio fica previsto, e o setor consegue se reerguer mais rápido. Os efeitos da perda de capacidade produtiva são sentidos por toda a sociedade paranaense, não só pelo campo”, arremata Ágide Meneguette.

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