Segundo levantamento oficial divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a articulação técnica e diplomática realizada em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) foi determinante para amortecer os reflexos econômicos dos casos da doença de Newcastle confirmados em Santa Catarina neste mês de outubro. A estratégia de consolidar o princípio da regionalização sanitária junto aos parceiros comerciais evitou perdas potenciais estimadas em aproximadamente US$ 954 milhões por ano para o complexo avícola nacional.
O cálculo econômico tomou como base o volume financeiro exportado pelo Brasil em 2025 e comparou o quadro atual com o episódio sanitário ocorrido no Rio Grande do Sul, em julho de 2024, quando diversos compradores impuseram bloqueios imediatos a todo o território nacional. Desta vez, ancorado nas diretrizes do Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o governo brasileiro garantiu que as barreiras fossem pontuais e proporcionais, preservando os embarques procedentes das demais regiões produtoras.
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O principal alívio veio da postura adotada pela China, que em 2024 vetou o produto de todo o país e agora limitou o embargo exclusivamente às unidades frigoríficas de Santa Catarina, poupando perdas potenciais da ordem de US$ 485 milhões anuais. Outro destaque relevante foi a Arábia Saudita, onde a circunscrição da restrição apenas à zona delimitada sob controle evitou um prejuízo projetado em US$ 293 milhões, além da Argentina, cuja perda mitigada estimada atingiu US$ 57 milhões. Condutas alinhadas de parceiros como África do Sul, Egito, Jordânia, Cuba e Vietnã também contribuíram para blindar as receitas do agronegócio.
Mapa das restrições e mercados compradores
A adesão às diretrizes de proporcionalidade sanitária dividiu as barreiras internacionais em três níveis de abrangência:
Suspensão nacional: Apenas Uruguai, México e Malásia optaram por interromper as compras de produtos avícolas procedentes de todo o território brasileiro.
Suspensão a Santa Catarina: China, Chile, Peru, Turquia, Uzbequistão, Paraguai e os membros da União Econômica Eurasiática (Rússia, Armênia, Belarus, Cazaquistão e Quirguistão) restringiram os embarques unicamente aos estabelecimentos localizados no estado catarinense.
Suspensão restrita à zona de contenção: O maior grupo de importadores optou pelo bloqueio sanitário focado unicamente no perímetro sob emergência — que compreende os municípios catarinenses de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Entre os mercados que adotaram esse protocolo estão Arábia Saudita, União Europeia, Reino Unido, Japão, Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Canadá, Filipinas, Hong Kong, Egito, Argentina, Vietnã, Jordânia, Cuba, África do Sul, Omã, Argélia, Namíbia, República Dominicana, Nova Caledônia, Tanzânia, Marrocos, Timor-Leste, Bolívia, El Salvador e Vanuatu.
Ações de contenção e defesa zoossanitária
A blindagem comercial decorre da transparência imediata nas notificações do Serviço Veterinário Oficial (SVO), que atua na contenção de campo, rastreamento epidemiológico e desinfecção de instalações. A emergência zoossanitária declarada por 60 dias no polo atingido pelo primeiro foco — identificado em 18 de outubro em perus de corte em Nova Itaberaba — permitiu delimitar a circulação do patógeno. Os dois focos detectados posteriormente em Coronel Freitas e Nova Erechim ocorreram dentro da mesma área sob monitoramento estrito, sem alterar o desenho estratégico das medidas de erradicação.
O Ministério da Agricultura mantém o compartilhamento sistemático de laudos laboratoriais e relatórios com os serviços veterinários internacionais para reafirmar a confiabilidade da sanidade avícola brasileira e acelerar a suspensão gradual dos embargos residuais.
