O presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA) e professor da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Marcos Café, esclareceu o panorama sanitário estadual para tranquilizar avicultores e consumidores a respeito da bronquite infecciosa aviária. Ao analisar a dinâmica do patógeno, o dirigente classificou a condição como "totalmente endêmica que a gente está monitorando", garantindo que os criatórios goianos permanecem protegidos por meio dos protocolos de imunização de rotina e que os fluxos de consumo interno e exportação seguem plenamente preservados.
Café pontuou que a enfermidade respiratória já faz parte do cotidiano da avicultura nacional, exigindo acompanhamento constante, com atenção redobrada no Paraná, onde o cenário requer maior cautela.
Regionalização sanitária do Mapa evita perda de US$ 954 mi no frango
Uruguai suspende importação de frango do Brasil após casos de Newcastle
"É mais problema na poedeira do que no frango de corte, mas uma doença respiratória que a gente convive com ela. Ao longo do ano, os avicultores alteram as estratégias de controle, as vacinações, as monitorias. Observa-se a idade, se o tipo de vacina é destinado ao frango de corte, se é postura", explicou a liderança, enfatizando que os medicamentos biológicos necessários estão amplamente acessíveis na rede de revendas agropecuárias.
Dinâmica viral, sintomas e perdas econômicas
Descrita tecnicamente como uma patologia aguda de transmissão viral de alta velocidade, a bronquite infecciosa atinge morbidade próxima a 100% no plantel. A disseminação ocorre por via aerógena (aerossóis e secreções respiratórias), contato direto com aves e fezes infectadas, ingestão de água e ração contaminadas ou por carreadores mecânicos, como trajes e equipamentos em trânsito entre barracões. O período de incubação varia de um a dois dias, atingindo o pico de excreção viral nas vias aéreas entre três e cinco dias, com capacidade de propagação por até 20 semanas.
Nas aves, os sinais clássicos envolvem tosse, espirros, estertores traqueais e dispneia, decorrentes da perda do epitélio ciliar, quadro que frequentemente abre portas para infecções secundárias por Escherichia coli, Mycoplasma gallisepticum ou Avibacterium paragallinarum. Em casos graves, o vírus atinge o trato digestivo (proventrículo, intestinos e bursa) e o sistema renal, provocando nefrite e mortalidade.
O maior prejuízo econômico incide sobre a atividade de postura. O patógeno ataca o sistema reprodutivo das galinhas, gerando inflamações e o chamado oviduto cístico crônico. Lotes infectados em idade jovem apresentam o pior prognóstico, culminando na interrupção definitiva da postura ou na produção de ovos com cascas finas, deformadas e despigmentadas. Em machos, a doença reduz a fertilidade e a contagem espermática, além de possibilitar a transmissão venérea.
Diagnóstico laboratorial e programas de biosseguridade
Pela ausência de sinais clínicos exclusivos, a correta caracterização exige ensaios moleculares avançados (como RT-PCR, qRT-PCR e RFLP), que superaram os testes sorológicos tradicionais ao indicar com rapidez o genótipo da cepa circulante. A identificação genética é vital para ajustar a vacinação contra variantes de campo que sofrem mutações contínuas para escapar do sistema imune.
O controle assenta-se no uso combinado de vacinas vivas atenuadas administradas nas primeiras semanas (via spray, água de bebida ou via ocular) para frangos de corte e formulações inativadas para reprodutoras e poedeiras, além de novas pesquisas com agonistas de interferons. Paralelamente, os manuais sanitários determinam isolamento rígido das propriedades, desinfecção de veículos e rotatividade semestral dos princípios ativos de desinfetantes para impedir a seleção de agentes resistentes.
Expressão socioeconômica da avicultura em Goiás
A manutenção do status sanitário é crucial para o agronegócio goiano, cuja cadeia produtiva da carne e ovos movimenta R$ 11 bilhões por ano. Goiás posiciona-se como o 5º maior produtor nacional de frangos de corte, concentrando 7,9% do volume abatido no país — posicionado logo atrás de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
No primeiro trimestre de 2026, os frigoríficos goianos registraram o melhor desempenho de sua série histórica, alcançando o abate recorde de 135,7 milhões de aves, avanço de 7,1% no comparativo anual. No comércio exterior, o estado exportou 181,9 mil toneladas de carne de frango para 95 países entre janeiro e julho de 2026, gerando divisas de US$ 370,5 milhões (alta de 23,3%).
O segmento de postura também sustenta papel expressivo, com produção superior a 252 milhões de dúzias e Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 1,6 bilhão. Concentrada nas regiões Centro e Sul do estado, a atividade tem como polos os municípios de Rio Verde (7º no ranking nacional), Itaberaí (10º polo do país), Mineiros e Buriti Alegre, ancorando sua competitividade na integração direta com as safras locais de milho e soja para suprimento de ração balanceada.
