Trigo reage no Brasil com alta externa e avanço do dólar
Mercado spot nacional registra recuperação nas cotações, com vendedores mais firmes diante da alta no exterior, avanço do dólar e preocupações climáticas nos Estados Unidos
Os preços do trigo reagiram no mercado spot brasileiro na última semana, impulsionados pela valorização do cereal no mercado internacional e pela alta do dólar frente ao real.
Segundo o Cepea, esse cenário levou vendedores a adotarem uma postura mais firme nas negociações, elevando os valores pedidos no mercado doméstico. Ao mesmo tempo, parte dos compradores voltou a negociar para recompor estoques, o que ajudou a dar sustentação às cotações nas principais regiões acompanhadas pelo centro de estudos.
A combinação entre câmbio, mercado externo e retomada pontual da demanda resultou em recuperação dos preços no Brasil, após um período de maior acomodação.
Vendedores ganham força no mercado spot
De acordo com os pesquisadores do Cepea, a valorização externa do trigo e o avanço do dólar reforçaram a posição dos vendedores no mercado nacional.
Com isso, os agentes passaram a sustentar preços mais altos nas negociações spot, aproveitando um ambiente mais favorável para o cereal no cenário global.
Do lado da demanda, a volta de parte dos compradores para recomposição de estoques também contribuiu para a reação das cotações, ajudando a destravar parte dos negócios.
Esse movimento foi suficiente para elevar os preços nas principais praças monitoradas pelo Cepea ao longo da última semana.
Clima nos EUA sustenta alta no mercado internacional
No mercado externo, os contratos futuros do trigo seguem em alta, influenciados principalmente pelas preocupações com o clima nos Estados Unidos.
Segundo o Cepea, dados do Monitor de Seca mostram que, até 10 de março, cerca de 55% da produção de trigo de inverno estava sob algum nível de estiagem.
O percentual chama atenção porque está bem acima dos 27% registrados no mesmo período do ano passado, reforçando a percepção de risco para a safra norte-americana.
Esse cenário climático tende a manter os preços internacionais firmes, já que os Estados Unidos seguem como referência importante para o mercado global do cereal.
Tensões no Oriente Médio seguem no radar
Além do fator climático, o mercado também continua atento às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Segundo o Cepea, o agravamento desse cenário pode elevar os custos de produção, especialmente por conta do impacto sobre os insumos agrícolas, com destaque para os fertilizantes.
Como o trigo é uma cultura sensível ao custo de produção e depende fortemente do uso de insumos, qualquer pressão adicional sobre fertilizantes pode influenciar a formação de preços e a competitividade nas próximas semanas.
Esse contexto ajuda a manter um viés de sustentação para o cereal, tanto no mercado internacional quanto no Brasil.
Cenário externo segue ditando o ritmo do trigo no Brasil
A reação dos preços no mercado brasileiro mostra que o trigo continua bastante dependente do ambiente externo.
Com os futuros em alta, dólar valorizado e preocupações climáticas nos Estados Unidos, os vendedores ganham mais espaço para sustentar preços no mercado spot nacional.
Ao mesmo tempo, a volta pontual de compradores para recompor estoques ajuda a dar liquidez ao mercado e reforça a recuperação das cotações.
Se o cenário internacional seguir pressionado e o câmbio permanecer em patamar elevado, a tendência é de continuidade na firmeza dos preços do trigo no Brasil no curto prazo.