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Alta do milho pressiona suinocultor e reduz poder de compra

Foto do autor Francieli Galo
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Alta do milho pressiona suinocultor e reduz poder de compra
Valorização do milho segue pressionando a suinocultura e reduzindo o poder de compra do produtor em São Paulo.

Preço do cereal avança com força em março, enquanto o suíno vivo tem leve alta em São Paulo, reduzindo pelo sexto mês seguido a capacidade de compra do produtor

A valorização do milho continua pressionando a rentabilidade da suinocultura em São Paulo. Nesta parcial de março, até o dia 17, o poder de compra do suinocultor paulista frente ao milho caiu pelo sexto mês consecutivo, reflexo da forte alta do cereal, enquanto os preços do suíno vivo seguem praticamente estáveis, segundo levantamento do Cepea.

O cenário reforça a pressão sobre os custos de produção, já que o milho é um dos principais componentes da ração e, portanto, tem peso direto sobre a margem do produtor.

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Suíno vivo sobe pouco, enquanto milho avança com mais força

De acordo com os dados do Cepea, o suíno vivo posto na indústria foi negociado à média de R$ 6,94 por quilo na região SP-5 nesta parcial de março.

O valor representa uma leve alta de 0,5% em relação à média de fevereiro.

No mesmo período, porém, o milho negociado no mercado de lotes de Campinas (SP) alcançou média de R$ 70,96 por saca de 60 quilos, com avanço de 4,6% frente ao mês anterior.

Segundo o Cepea, essa foi a variação mensal mais intensa para o cereal desde março de 2025, o que amplia a pressão sobre a atividade.

Relação de troca piora pelo sexto mês consecutivo

Com a disparada do milho e a reação limitada do suíno vivo, a relação de troca voltou a piorar para o produtor paulista. Na prática, com a venda de 1 quilo de suíno vivo, o suinocultor consegue comprar em março 5,87 quilos de milho.

O volume é 3,9% menor do que o observado em fevereiro, o que confirma a perda de poder de compra pelo sexto mês seguido.

Esse movimento indica que, mesmo com o preço do animal relativamente firme, a alta mais acelerada do cereal vem corroendo a capacidade de reposição de insumos e apertando a margem operacional da atividade.

Na comparação anual, cenário ainda é ligeiramente melhor

Apesar da piora na comparação mensal, o Cepea aponta que, no comparativo com março do ano passado, a relação de troca ainda apresenta uma leve melhora. Em termos anuais, o poder de compra do suinocultor frente ao milho está 2% acima do registrado em igual período de 2025.

Ainda assim, o avanço recente do cereal mantém o mercado em alerta, especialmente diante da sensibilidade da suinocultura aos custos com alimentação.

Oferta restrita e demanda aquecida sustentam alta do milho

Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização do milho está ligada a uma combinação de oferta restrita no mercado spot e demanda aquecida para formação de estoques.

O movimento também ocorre em meio a incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, fator que adiciona volatilidade ao mercado e influencia a postura mais cautelosa dos compradores.

Com isso, o cereal segue valorizado e mantém pressão direta sobre a cadeia de proteína animal, especialmente sobre setores com forte dependência da ração, como a suinocultura.

Custos seguem no radar da suinocultura

O cenário reforça que o comportamento do milho continua sendo um dos principais pontos de atenção para os produtores de suínos.

Com o cereal em alta e o suíno vivo avançando em ritmo bem mais lento, o setor segue operando com margens mais apertadas, o que exige atenção redobrada na gestão de custos e na compra de insumos.

Se o milho continuar firme nas próximas semanas, a pressão sobre o poder de compra pode se manter, prolongando um cenário já desfavorável para a atividade.

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