Milho sobe em Chicago, mas mercado interno segue travado
Contrato de maio avança na CBOT nesta quinta-feira, impulsionado pelo petróleo e pelo etanol, enquanto no Brasil o mercado segue cauteloso em meio à colheita da soja, plantio da safrinha e pressão logística
O mercado do milho opera em alta na manhã desta quinta-feira na Bolsa de Chicago (CBOT), com o contrato maio avançando cerca de 4 pontos, negociado a US$ 4,67 por bushel. O movimento mantém o viés positivo observado na sessão anterior, quando os vencimentos mais próximos registraram valorização em torno de 10 cents.
O avanço externo encontra suporte principalmente na forte alta do petróleo, que reforça as expectativas em torno da demanda por combustíveis alternativos e, consequentemente, pelo milho destinado à produção de etanol.
Segundo análise de mercado da Granoeste, o cenário internacional segue oferecendo sustentação às cotações, embora o ritmo de negócios no Brasil continue mais contido.
Petróleo dá suporte ao milho no mercado externo
Entre os fatores que sustentam os preços nesta quinta-feira está a valorização expressiva do petróleo, que segue influenciando diretamente o mercado de grãos.
Com o petróleo em alta, cresce a atenção sobre a produção de etanol, que ganha força como fonte de energia alternativa e também como aditivo à gasolina. Esse movimento ajuda a manter a demanda pelo milho aquecida, especialmente em mercados que acompanham mais de perto a relação entre energia e biocombustíveis.
Nesse ambiente, a CBOT segue encontrando suporte, mesmo em um cenário ainda marcado por volatilidade e atenção aos movimentos macroeconômicos.
Brasil: mercado lento e produtor focado na safrinha
No mercado doméstico o ritmo segue mais lento. As negociações continuam vagarosas, com os preços oscilando dentro de uma faixa estreita, sem grandes movimentos no curto prazo. No campo, os produtores seguem concentrados principalmente na colheita da soja e no avanço do plantio do milho safrinha, o que reduz o apetite por comercialização neste momento.
Esse comportamento é comum em períodos de transição entre culturas, quando a atenção do produtor está voltada para a operação no campo e para o andamento do calendário agrícola.
Frete e diesel seguem como fator de pressão
Além do compasso mais lento nas negociações, o setor também acompanha com preocupação a situação do transporte rodoviário.
A alta do diesel e a possibilidade de maior impacto da tabela mínima de frete entram no radar do mercado e podem pressionar ainda mais os preços recebidos no interior.
Na prática, o aumento dos custos logísticos tende a reduzir a competitividade e pesar sobre o valor pago ao produtor, especialmente em um momento em que o mercado interno ainda não mostra força suficiente para sustentar altas mais expressivas.
Esse cenário reforça a cautela dos agentes, que seguem atentos tanto à evolução da safrinha quanto aos custos de escoamento.
B3 e preços de referência no Paraná
Na B3, os contratos futuros também mostram estabilidade com leve ajuste.
A posição maio trabalha na faixa de R$ 72,40 por saca, após fechamento anterior em R$ 72,50, enquanto o contrato junho é negociado em torno de R$ 70,80, praticamente estável em relação ao fechamento anterior.
No mercado físico, no oeste do Paraná, as indicações de compra do milho giram entre R$ 60,00 e R$ 64,00 por saca.
Já em Paranaguá, para o milho da safrinha, as referências variam entre R$ 68,00 e R$ 70,00 por saca, dependendo do prazo de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
Câmbio também entra no radar do mercado
Outro fator acompanhado pelos agentes é o câmbio, que influencia diretamente a competitividade das exportações e a formação dos preços internos.
Na manhã desta quinta-feira, o dólar operava em alta, em torno de R$ 5,26, após ter encerrado a sessão anterior em R$ 5,243.
A valorização da moeda norte-americana pode oferecer algum suporte ao mercado brasileiro, mas, no momento, a combinação entre ritmo lento de negócios, foco operacional no campo e pressão logística ainda limita movimentos mais fortes de alta.
Mercado deve seguir atento ao ritmo da safrinha
Apesar do suporte externo vindo de Chicago, o mercado brasileiro do milho segue em compasso mais cauteloso.
Nos próximos dias, o comportamento dos preços deve continuar sendo influenciado pela evolução do plantio da safrinha, pela movimentação do câmbio, pelos custos logísticos e pelo comportamento do petróleo, além do andamento da demanda doméstica.
Com isso, o produtor deve manter atenção redobrada ao ambiente externo e aos custos internos, que seguem determinantes para o ritmo da comercialização.