Soja sobe em Chicago, mas frete e portos pressionam no Brasil
Correção técnica em Chicago sustenta alta da soja nesta quinta-feira, mas cenário no Brasil ainda enfrenta pressão com frete indefinido, classificação nos portos e impacto sobre o preço ao produtor
A soja opera em alta na manhã desta quinta-feira na Bolsa de Chicago (CBOT), em um movimento de correção técnica após os últimos ajustes do mercado. O contrato maio avançava cerca de 3 pontos, negociado em US$ 11,65 por bushel, mantendo o viés positivo observado no fechamento da sessão anterior.
Na quarta-feira, os vencimentos mais próximos encerraram o dia com ganhos entre 5 e 6 cents, enquanto os contratos mais distantes registraram valorização mais forte, com altas entre 15 e 20 pontos.
Segundo análise da Granoeste Corretora, o mercado segue sustentado por fatores externos relevantes, especialmente o ambiente geopolítico e a forte valorização do petróleo, que seguem influenciando a formação dos preços das commodities agrícolas.
Petróleo e tensão geopolítica sustentam mercado externo
Entre os principais fatores de atenção está a continuidade das tensões no Oriente Médio, que mantém os agentes atentos aos reflexos sobre os mercados globais.
Além disso, persistem as incertezas em torno de um novo encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, o que também adiciona cautela ao ambiente internacional.
Outro ponto de suporte para a soja é a nova disparada do petróleo. O tipo Brent avançava cerca de 6% nesta manhã, chegando a US$ 113 por barril, movimento que ajuda a fortalecer a precificação de commodities como soja e milho.
Com isso, o mercado externo encontra sustentação, mesmo em um cenário ainda carregado de volatilidade.
Brasil: portos, frete e preços ao produtor seguem no radar
No mercado brasileiro, porém, o cenário segue mais sensível e cercado por incertezas.
O endurecimento da classificação nos portos continua gerando transtornos para as exportações, em um momento em que o setor aguarda uma possível sinalização positiva de um encontro entre representantes do Brasil e da China, na expectativa de reduzir os entraves e aliviar o fluxo dos embarques.
Ao mesmo tempo, o mercado acompanha com atenção as indefinições em torno do frete rodoviário, diante das discussões sobre uma possível paralisação de caminhoneiros e sobre os novos valores a serem praticados por trecho rodado.
A percepção no setor é de que pode haver elevação significativa dos custos logísticos, especialmente caso seja exigido o cumprimento integral da tabela de frete. Esse movimento tende a pesar diretamente sobre a comercialização, já que aumentos no transporte normalmente reduzem o valor pago ao produtor, uma vez que os custos internos têm pouca capacidade de elevar as cotações internacionais.
Na prática, isso significa que, mesmo com a reação em Chicago, o mercado doméstico pode continuar enfrentando limitações no repasse de preços ao campo.
Prêmios e indicações de compra no Paraná
No mercado físico, os prêmios de exportação seguem indicados no spot entre -15 e -5 cents. Para maio, as referências giram entre 5 e 15 cents, enquanto para junho também variam de 5 a 15 cents.
No oeste do Paraná, as indicações de compra da soja ficaram entre R$ 118,00 e R$ 120,00 por saca. Já em Paranaguá, os valores variam entre R$ 129,00 e R$ 131,00 por saca, a depender principalmente do prazo de pagamento, além de fatores como local de origem e janela de embarque.
De acordo com a Granoeste, o mercado segue sensível à combinação entre o comportamento de Chicago, os prêmios e o custo logístico, fatores que devem continuar determinando o ritmo dos negócios nos próximos dias.
Mercado segue atento aos próximos desdobramentos
Apesar da recuperação técnica observada na CBOT, o mercado da soja ainda trabalha em um ambiente de forte atenção.
No exterior, os desdobramentos geopolíticos e a trajetória do petróleo seguem no centro das decisões. No Brasil, o foco permanece sobre a logística, o andamento das exportações e a formação dos fretes, fatores que continuam influenciando diretamente a competitividade da soja brasileira e a remuneração ao produtor.
Com isso, o mercado deve seguir volátil no curto prazo, exigindo acompanhamento redobrado dos produtores e agentes da comercialização.