O custo médio para cultivar um hectare de soja na safra 2026/2027 em Mato Grosso do Sul foi estimado em R$ 5.024,82, segundo o estudo técnico elaborado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS). O levantamento, baseado na metodologia da Conab e calibrado com dados coletados a campo em julho de 2026, mostra que o agricultor precisará colher 42,04 sacas por hectare — considerando uma cotação de referência de R$ 119,52 por saca — apenas para empatar as contas da atividade (ponto de equilíbrio do Custo Total). Quando avaliados apenas os desembolsos diretos de caixa, o índice fica em 38,54 sacas por hectare.
O coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, adverte que o ciclo se inicia em um ambiente de restrição financeira. A combinação entre endividamento acumulado de safras anteriores, desaceleração na compra de fertilizantes e instabilidade climática exige disciplina rígida no planejamento orçamentário.
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Insumos absorvem mais de 61% do orçamento operacional
O grupo dos insumos continua sendo a despesa mais representativa da porteira para dentro, somando R$ 3.078,63 por hectare (61,27% do custo total). De acordo com o economista da entidade Linneu Borges Filho, a cada R$ 10 investidos na lavoura, mais de R$ 6 são destinados a esse segmento:
Fertilizantes: R$ 1.367,31 por hectare;
Defensivos agrícolas: R$ 1.071,42 por hectare;
Sementes: R$ 542,50 por hectare.
O analista econômico Raphael Gimenes acrescenta que variáveis operacionais e financeiras encareceram o fluxo produtivo, com o óleo diesel precificado a R$ 6,45 por litro, taxa de juros média de financiamento em 14,25% ao ano e frete rodoviário de curta distância (80 km) pesando sobre o escoamento.
Alerta vermelho para terras arrendadas
A margem de rentabilidade, embora positiva para proprietários de terra (frente à produtividade média esperada de 52,4 sc/ha calculada pelo Projeto SIGA-MS), torna-se deficitária para quem opera em áreas arrendadas.
Com a cobrança média de 15 sacas por hectare (R$ 1.792,80/ha), o custo consolidado do arrendatário salta para R$ 6.817,62 por hectare, elevando o ponto de equilíbrio para 57,04 sacas por hectare. Como essa exigência supera a produtividade média esperada para o estado — projetada em queda de 13,2% em relação à safra anterior —, o produtor que não possui terra própria inicia o ciclo em área de risco operacional considerável.
Clima e atuação do El Niño
O cenário agronômico traz desafios adicionais. Projeções do Cemtec/Semadesc para o trimestre de setembro a novembro indicam chuvas dentro ou acima da média histórica, porém com distribuição espacial irregular no início da janela de semeadura. A presença do fenômeno El Niño eleva a probabilidade de temperaturas extremas e ondas de calor contínuas, exigindo atenção para evitar estresse hídrico e necessidade de replantios.
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