Mesmo em alta, ovos registram Quaresma mais fraca desde 2023
Alta sazonal em fevereiro e março não compensou o mercado enfraquecido no início de 2026, e preços médios da Quaresma ficaram nos menores patamares dos últimos anos
Mesmo com a valorização típica registrada durante a Quaresma, os preços dos ovos no mercado brasileiro encerraram o período religioso em patamares médios mais baixos do que os observados nos últimos anos. Segundo dados do Cepea, embora as cotações tenham avançado até 21% em março, movimento comum nesta época em razão da substituição da carne vermelha pelo consumo de proteínas alternativas, a média de preços da Quaresma de 2026 foi a menor desde 2023.
O comportamento chama atenção porque, tradicionalmente, o período costuma impulsionar de forma mais consistente o mercado de ovos. Neste ano, porém, a recuperação vista em fevereiro e março não foi suficiente para compensar o cenário de preços enfraquecidos que marcou o início de 2026.
Com isso, mesmo diante de uma demanda sazonal mais aquecida, o setor avícola seguiu operando em um ambiente de menor sustentação nas cotações em relação aos anos anteriores.
Mercado iniciou 2026 com preços enfraquecidos
De acordo com pesquisadores do Cepea, o mercado de ovos já vinha de um histórico de enfraquecimento ao longo de 2025, quando os preços recuaram em boa parte dos meses. Esse movimento acabou refletindo diretamente no início deste ano.
Como consequência, janeiro de 2026 registrou a menor média para o mês dos últimos seis anos em diversas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas. Esse desempenho mais fraco colocou o setor em um patamar inicial mais baixo, reduzindo a base de comparação para a recuperação sazonal observada durante a Quaresma.
Na prática, isso significa que, apesar da alta expressiva nos preços em fevereiro e março, o mercado partiu de níveis tão deprimidos que a reação não foi suficiente para levar a média do período religioso acima da registrada em anos anteriores.
Alta sazonal não reverte cenário mais fraco
A valorização dos ovos durante a Quaresma é um comportamento recorrente no mercado, impulsionado pelo aumento da procura em razão da substituição da carne vermelha no consumo de parte da população. Em 2026, esse padrão voltou a se repetir, com altas que chegaram a 21% em março.
Ainda assim, segundo o Cepea, o movimento não teve força para alterar o quadro mais amplo do setor. Os preços médios da Quaresma permaneceram abaixo dos níveis observados em outros anos recentes, mostrando que a recuperação sazonal foi limitada diante da fraqueza acumulada no mercado.
O resultado reforça que, embora a demanda típica do período tenha dado suporte às cotações, o setor de ovos ainda sente os efeitos de um mercado mais pressionado, com menor capacidade de recuperação plena no curto prazo.
Dessa forma, a Quaresma de 2026 termina com uma reação importante nas cotações, mas sem repetir o mesmo nível de valorização média de anos anteriores. Para os produtores, o cenário indica uma recuperação parcial, porém ainda insuficiente para recompor completamente a rentabilidade observada em outros ciclos do mercado.