O mercado internacional do milho opera próximo da estabilidade no intervalo da manhã desta terça-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), com o vencimento dezembro cotado a US$ 4,83 por bushel, conforme aponta o boletim matinal da Granoeste Corretora. O comportamento lateral ocorre após o ativo registrar recuperação tímida de 4 pontos no pregão de ontem, tentando absorver o tombo de 4% registrado na última sexta-feira decorrente dos novos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Na B3, a bolsa brasileira, os contratos futuros operam em campo positivo: o vencimento novembro trabalha em R$ 69,30 por saca (frente ao fechamento anterior de R$ 68,70), enquanto janeiro de 2027 marca R$ 73,10 (ante R$ 72,85 da sessão prévia).
Dólar em queda e retração compradora derrubam o milho
Milho safrinha repete margem de lucro com apoio dos preços
O relatório de oferta e demanda do USDA trouxe as maiores surpresas justamente para a cultura do cereal. O mercado projetava uma revisão para baixo, esperando números inferiores a 400 milhões de toneladas (MT), mas o órgão norte-americano elevou a estimativa de produção nos Estados Unidos para 407,3 MT — frente aos 401,3 MT projetados no mês anterior. Já em relação à colheita recorde do ciclo anterior, o USDA promoveu um corte de 1,5 MT, ajustando-a para 430,9 MT. Como resultado direto do aumento produtivo, os estoques finais norte-americanos saltaram mais de 7,0 MT, ficando consolidados em robustos 47,0 MT.
Fronteira nacional: semeadura avança e físico enfrenta compasso de espera
No panorama doméstico analisado pela Granoeste, a produção brasileira total de milho segue estimada pelo USDA em 139,0 MT, com exportações projetadas em 43,0 MT — na safra passada, a colheita somou 141,0 MT e os embarques ficaram em 38,0 MT.
O ritmo dos trabalhos no campo avança favoravelmente. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que o plantio da safra de verão atingiu 33,5% da área prevista. O índice supera os 31,2% observados em igual período de 2025 e fica acima da média histórica de 31,0% para esta época.
Internamente, a liquidez segue restrita e os preços permanecem sob pressão. O descompasso decorre das fortes desvalorizações acumuladas na CBOT e da volatilidade cambial recente, fatores que afetam diretamente o cálculo da paridade de exportação nos portos. O foco dos produtores está concentrado no avanço simultâneo da implantação da soja e do milho e no monitoramento dos mapas de chuva:
Oeste do Paraná: Indicações nominais de compra oscilam na faixa de R$ 62,00 a R$ 64,00 por saca, variando conforme o prazo de pagamento acordado e a distância logística do lote;
Porto de Paranaguá: Ofertas de compra posicionam-se entre R$ 67,00 e R$ 69,00 por saca;
Câmbio: A moeda norte-americana opera em alta nesta manhã, negociada a R$ 5,02, após encerrar a última sessão em R$ 4,985, trazendo fôlego pontual para a formação dos preços no porto.
