Os estoques de suco de laranja nas indústrias brasileiras voltaram a crescer nos últimos meses. Segundo pesquisadores do Cepea, a recuperação está ligada às melhores condições de produção e à maior qualidade das frutas na safra 2025/26.
Outro fator que contribui para esse movimento é o ritmo ainda lento de consumo no mercado internacional. A demanda da União Europeia, tradicionalmente o principal destino do suco brasileiro, segue moderada, o que ajuda a manter volumes maiores armazenados nas indústrias.
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Dados da CitrusBR indicam que os estoques de suco de laranja dos associados encerraram 2025 em 616,46 mil toneladas, considerando volumes convertidos para concentrado (FCOJ). O número representa aumento de 75,4% em relação a 2024, quando o volume registrado foi o menor de toda a série histórica da entidade.
Além disso, trata-se do melhor resultado desde 2021, quando os estoques somavam 509 mil toneladas. A recomposição reflete não apenas a melhora na produção, mas também a estratégia das indústrias de formar reservas maiores diante de um cenário mais favorável na qualidade da matéria-prima.
De acordo com pesquisadores do Cepea, atentos à recuperação da oferta e ao melhor padrão das frutas, agentes da indústria passaram a exigir, em grande parte da safra, um ratio mais elevado. Esse indicador, que relaciona teor de açúcar (brix) e acidez, é determinante para garantir um suco de melhor qualidade.
Na safra anterior, 2024/25, o cenário foi bastante diferente. A carga dos pomares foi reduzida, especialmente de frutas com bom ratio. Como consequência, o suco produzido teve custo elevado e qualidade inferior à ideal. Além do baixo ratio, o nível de limonin — substância responsável pelo amargor — estava mais alto, o que também prejudicou o padrão do produto final.
