Importação de fertilizantes cai em MS e preocupa produtores
Retração nas compras de nitrogenados marca o início de 2026 no estado, enquanto tensões no Oriente Médio elevam a volatilidade global dos insumos agrícolas
A importação de fertilizantes em Mato Grosso do Sul registrou forte retração no início de 2026. Nos dois primeiros meses do ano, o volume importado caiu 57,57% em comparação com o mesmo período de 2025, passando de 18,7 mil toneladas para 7,9 mil toneladas, segundo levantamento da Aprosoja/MS com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A queda foi puxada principalmente pela redução nas compras de fertilizantes nitrogenados, que recuaram de 18 mil toneladas para 7,71 mil toneladas, uma retração de 57,13% no período. Já os fertilizantes potássicos apresentaram volumes praticamente estáveis, enquanto não houve registro de importação de fosfatados no estado nos primeiros meses deste ano.
Apesar da forte queda em Mato Grosso do Sul, o cenário nacional mostra um comportamento mais equilibrado. O Brasil importou 5,2 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e fevereiro de 2026, volume apenas 1,5% menor em relação ao mesmo período de 2025. No país, enquanto os nitrogenados registraram redução de 9,1%, houve aumento nas importações de potássicos, com alta de 10,64%, e de fosfatados, com avanço de 46,06%, indicando uma recomposição parcial da oferta desses nutrientes.
Segundo análise econômica da Aprosoja/MS, a retração nas importações no estado pode refletir ajustes no ritmo de aquisição de insumos pelos produtores, influenciados pelo cenário de custos de produção e pelas condições do mercado internacional.
Queda nos nitrogenados preocupa planejamento da safra
Para os produtores de soja e milho de Mato Grosso do Sul, o comportamento do mercado de fertilizantes tem impacto direto no planejamento produtivo. A menor aquisição de nitrogenados acende um sinal de atenção, principalmente para o milho segunda safra, cultura que depende fortemente desse nutriente para sustentar o potencial produtivo.
Caso haja redução na adubação, o desempenho das lavouras pode ser comprometido, especialmente em um cenário de margens apertadas e custos elevados. A leitura do setor é de que o momento exige ainda mais cautela no manejo e no planejamento da compra de insumos.
Além disso, a volatilidade nos preços internacionais dos fertilizantes e da energia amplia o desafio para o produtor rural. Com o custo de produção ainda entre os principais fatores de pressão sobre a rentabilidade, decisões relacionadas ao uso e ao momento de aquisição dos fertilizantes ganham peso estratégico dentro da gestão da propriedade.
Tensões no Oriente Médio elevam volatilidade global
O mercado internacional de fertilizantes também vem sendo impactado por fatores geopolíticos. O conflito envolvendo o Irã elevou a volatilidade global dos insumos agrícolas, principalmente em razão das tensões no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas para o transporte de energia e fertilizantes no mundo.
A região do Golfo concentra uma parcela relevante da produção mundial de fertilizantes e de matérias-primas utilizadas na fabricação desses produtos. Estimativas apontam que entre 20% e 30% das exportações globais de fertilizantes passam por essa rota marítima, além de uma fatia significativa do gás natural utilizado na produção de nitrogenados.
Com restrições logísticas e alta nos preços da energia, os custos de produção e transporte dos fertilizantes aumentaram em diferentes mercados. Desde o início das tensões, em fevereiro de 2026, analistas vêm apontando alta relevante nos preços internacionais desses insumos, com reflexos diretos sobre o planejamento agrícola em diversos países.
Em alguns mercados, o preço da ureia já registrou aumentos expressivos desde o início do conflito, refletindo a preocupação com a oferta global e com possíveis interrupções nas cadeias de suprimento. Para o produtor sul-mato-grossense, esse cenário reforça a necessidade de acompanhar o mercado com atenção e buscar estratégias mais eficientes para reduzir riscos no uso dos insumos ao longo da safra.