Agricultura regenerativa pode reduzir custos no campo
Com alta dos fertilizantes e forte dependência de importações, Emater-MG recomenda técnicas sustentáveis para preservar a fertilidade do solo e manter a produtividade
A alta nos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Irã, tem elevado os custos de produção agrícola no Brasil e acendido um alerta no campo. Diante desse cenário, a Emater-MG recomenda que os produtores busquem alternativas sustentáveis para manter a fertilidade do solo e reduzir a dependência de insumos minerais, apostando em práticas como a agricultura regenerativa e técnicas agroecológicas.
Segundo o coordenador técnico estadual de Fertilidade de Solos da Emater-MG, Márcio Stoduto de Mello, este é um momento oportuno para que os agricultores conheçam melhor tecnologias capazes de preservar a produtividade com custos menores. Embora o país esteja no período de colheita da primeira safra de grãos, o que reduz momentaneamente a pressão sobre a demanda por fertilizantes, o cenário exige atenção, especialmente porque o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes minerais utilizados na agricultura.
De acordo com o coordenador, há tecnologias sustentáveis que podem funcionar como ferramentas importantes para manter a fertilidade do solo com menor custo. Entre elas está o sistema de produção regenerativo, que busca restaurar a saúde do solo, recuperar ecossistemas, aumentar a biodiversidade e manter a produtividade.
Práticas conservacionistas ganham força no campo
Entre as técnicas citadas pela Emater-MG estão o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de bioinsumos. A proposta é evitar o revolvimento excessivo do solo, conservar a matéria orgânica e melhorar gradualmente as condições produtivas da área. Segundo Márcio Mello, ao invés de expor a terra com o revolvimento, o uso do plantio direto contribui para conservar melhor o solo e aumentar a matéria orgânica.
Outro ponto destacado é a calagem, que, segundo o coordenador, pode elevar em até 2,5 vezes a produção de uma área. O uso de microrganismos também é apontado como eficiente na construção da fertilidade dos solos, fortalecendo um manejo mais equilibrado e menos dependente de fertilizantes convencionais.
Há ainda plantas que ajudam diretamente na melhoria do solo, principalmente leguminosas como crotalária, feijão-guandu, mucuna e trevo. Essas espécies, em simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio, contribuem para aumentar a matéria orgânica e reciclar nutrientes. O uso de gesso agrícola também aparece como alternativa, permitindo que as raízes se aprofundem no solo e alcancem água no subsolo.
Em Minas Gerais, outra solução apontada pela Emater-MG é a rochagem, com uso de pó de rocha, especialmente de basalto, rico em nutrientes. Segundo Márcio, quando aplicado de forma adequada, esse material pode contribuir significativamente para a construção da fertilidade do solo.
Biofertilizantes e manejo natural podem reduzir despesas
Entre as estratégias para manter produção e produtividade, mesmo com menor compra de fertilizantes, a Emater-MG também destaca os biofertilizantes. Esses adubos naturais, ricos em microrganismos benéficos, são derivados da fermentação de matéria orgânica e podem ser produzidos dentro da própria propriedade rural, com baixo custo.
O coordenador cita como exemplo o uso de dejeto bovino. Em vez de espalhar o material diretamente na pastagem, com risco de presença de vermes e parasitas, a orientação é tratá-lo em tanque e, após 90 dias, aplicá-lo como biofertilizante na lavoura. Segundo ele, a prática pode ser tão eficiente que a esterqueira de dejetos líquidos se paga em um ano, além de evitar a contaminação do solo e da água.
O húmus de minhoca também é apontado como uma opção eficiente para manter a vida do solo. Além disso, há bactérias capazes de extrair fósforo e potássio das rochas, bem como microrganismos que fixam o nitrogênio presente no ar, ampliando as possibilidades de manejo sustentável nas propriedades.
Para a Emater-MG, o produtor deve buscar orientação técnica para conhecer essas práticas e entender quais delas se encaixam melhor em sua realidade. O trabalho de extensão rural nos municípios mineiros tem justamente esse papel: apresentar tecnologias sustentáveis, mostrar seus resultados e apoiar a adoção gradual, sem que o agricultor precise implementar todas as mudanças de uma só vez. A avaliação é de que essas ferramentas podem ajudar a reduzir custos, fortalecer a fertilidade do solo e tornar o sistema produtivo mais resiliente e sustentável no longo prazo.