Cenário de preços e consumo do feijão pela IBRAFE
Com produção concentrada no Paraná e em Minas Gerais, cenário reforça a importância da diversificação e da qualidade na lavoura
Com parte dos estados já encerrando a colheita e outros próximos de atingir 100% da área, o mercado de feijão começa a dar sinais claros de mudança nos preços e no comportamento do consumo no Brasil. Enquanto o feijão carioca registra alta e pode pressionar a inflação, o feijão preto segue mais acessível ao consumidor — cenário que deve se inverter no segundo semestre.
Em entrevista ao RuralNews o presidente do IBRAFE, Marcelo Lüders, conta que o feijão carioca já apresenta valorização no mercado, reflexo da oferta e da dinâmica de consumo. Por outro lado, o feijão preto ainda aparece com preços mais atrativos ao consumidor, o que tem incentivado sua entrada no cardápio do brasileiro.
Consumo começa a mudar
Hoje, o consumo anual de feijão carioca gira em torno de 1,7 milhão de toneladas, enquanto o feijão preto soma cerca de 500 mil toneladas. Mesmo com essa diferença, o cenário começa a mudar.Com preços mais atrativos, o feijão preto tem ganhado espaço entre os consumidores. A tendência é que parte da população passe a incluir o produto de forma mais frequente na alimentação, ampliando a demanda ao longo do tempo.
Além disso, o consumidor brasileiro começa a diversificar mais o prato, experimentando variedades como feijão rajado e vermelho. Esse movimento, ainda gradual, pode fortalecer o consumo geral do grão no país — um ponto positivo para toda a cadeia produtiva.
Atenção ao Paraná e Minas Gerais
Do ponto de vista da produção, dois estados seguem como referência para o mercado: Paraná e Minas Gerais, que juntos respondem por mais de 40% da produção nacional ao longo do ano.
No caso do feijão preto, o Paraná concentra cerca de 80% da produção brasileira. Por isso, o fim da colheita no estado costuma ser determinante para a formação de preços no mercado.
Já o feijão carioca tem em Minas Gerais um dos principais termômetros. O desempenho da safra mineira influencia diretamente a oferta e, consequentemente, o comportamento dos preços.
Qualidade da safra avança
A safra atual também apresenta evolução na qualidade dos grãos. Nos Campos Gerais do Paraná, produtores têm migrado para cultivares de escurecimento lento. Essa mudança melhora a aparência do produto e aumenta sua aceitação no mercado, além de contribuir para maior valor agregado.
No Sudoeste do Paraná, a qualidade também avançou, impulsionada principalmente pelo uso de sementes melhores e pelo trabalho de cooperativas e cerealistas. A adoção de manejo mais eficiente por parte dos produtores tem refletido diretamente no aumento da produtividade.
Capacitação e exportações ganham força
Outro ponto destacado pelo setor é o avanço na capacitação dos produtores. A busca por conhecimento técnico, participação em dias de campo e eventos tem contribuído para elevar o padrão da produção nacional.
No mercado externo, o Brasil também vem ganhando espaço. No último ano, o país registrou cerca de 530 mil toneladas exportadas, com destaque para o feijão preto. Em 2024, apenas uma variedade desse tipo já alcançou cerca de 400 mil toneladas embarcadas.Esse desempenho reforça a importância da diversificação da produção e da profissionalização no campo, fatores que ampliam as oportunidades tanto no mercado interno quanto no exterior.