Epagri inicia estudo para viabilizar produção comercial de Yuzu em SC
Pesquisa vai avaliar a adaptação do limão japonês às condições catarinenses e pode transformar a fruta em nova alternativa de renda para produtores, especialmente em áreas mais frias do Estado
A Epagri deu início a um estudo que pode abrir caminho para a produção comercial do limão Yuzu em Santa Catarina. A pesquisa vai avaliar a adaptabilidade e o desempenho agronômico da fruta no Estado, com foco em regiões de clima mais frio, e pode transformar a cultura em uma nova alternativa de diversificação e renda para os produtores catarinenses.
Nativo da China, mas amplamente conhecido como limão japonês pela forte presença na gastronomia e na indústria de alimentos do Japão, o Yuzu tem potencial de mercado considerado promissor, tanto para consumo quanto para processamento de suco e subprodutos, como óleos essenciais.
Parceria com empresa japonesa garante acesso ao material genético
O avanço da pesquisa foi formalizado nesta quinta-feira (19), em Florianópolis, com a assinatura de um acordo de cooperação entre a Epagri e a empresa japonesa Ogon No Mura, fabricante de diversos produtos à base de Yuzu.
A parceria garante aos pesquisadores catarinenses acesso ao germoplasma, ou seja, ao material genético de plantas originais cultivadas nos pomares da empresa na província de Tokushima, no Japão.
Para a companhia japonesa, o interesse é ampliar a produção da fruta para atender à demanda crescente de seus mercados. Já para Santa Catarina, a cooperação representa a possibilidade de introduzir uma nova cultura com potencial comercial e respaldo técnico desde a origem.
Estudo é primeiro passo para liberar cultivo no Brasil
Atualmente, o Yuzu ainda não possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o que significa que a espécie não tem autorização para plantio comercial no Brasil.
Por isso, o estudo da Epagri é decisivo. Após a conclusão da pesquisa e a comprovação da adaptabilidade da fruta em solo catarinense, será possível avançar com o registro do cultivar junto ao Mapa.
Somente depois dessa etapa o setor produtivo poderá ser beneficiado com a implantação de um sistema de produção estruturado, permitindo a exploração comercial da fruta no Estado.
Regiões frias de Santa Catarina estão no foco da pesquisa
A pesquisa da Epagri vai concentrar a avaliação do cultivo especialmente em áreas mais altas e frias de Santa Catarina, onde as condições climáticas se aproximam das registradas em Kito, vila de Tokushima onde estão localizados os pomares da Ogon No Mura.
Na região japonesa, as temperaturas variam de -10°C a 40°C, com alta amplitude térmica — cenário semelhante ao encontrado em parte da Serra catarinense.
Essa característica chama atenção porque pode permitir a introdução de uma cultura cítrica em regiões onde, tradicionalmente, o cultivo de citros enfrenta mais limitações por causa do frio e das geadas.
Frei Rogério receberá um dos pomares experimentais
Um dos pomares experimentais será implantado em Frei Rogério, no Meio-Oeste catarinense, em uma propriedade com histórico de produção diversificada.
A área pertence ao agricultor Ernesto Eisaku Onaka, que atualmente cultiva alho, pêssego, aspargo e goiaba-serrana em 16 hectares. A inclusão do Yuzu surge como uma possibilidade concreta de ampliar o portfólio produtivo da propriedade.
Além do clima, a escolha da região também considera a presença de colônias de imigrantes japoneses, que mantêm sistemas de produção com características semelhantes às da região de origem da fruta no Japão.
Mudas passarão por quarentena antes dos testes em campo
O material genético importado do Japão passará primeiro por um processo de quarentena no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em São Paulo.
A medida é necessária para garantir que não haja risco de introdução de doenças no país. Durante esse período, também serão realizados os enxertos das plantas.
Após a liberação, o material seguirá para a Estação Experimental da Epagri em Itajaí, onde será incorporado ao banco de germoplasma da instituição, considerado um dos maiores do Brasil.
Ensaios serão feitos em três regiões de Santa Catarina
Paralelamente, parte das mudas originadas do material importado será destinada aos ensaios de adaptação, que serão conduzidos em três locais diferentes: Itajaí, São Joaquim e Frei Rogério.
Segundo a Epagri, a ideia é comparar o comportamento da cultura em diferentes condições climáticas. Enquanto São Joaquim e Frei Rogério representam áreas mais frias, Itajaí permitirá observar como o Yuzu se desenvolve em ambiente de clima mais quente, no litoral.
A expectativa é que o estudo seja concluído em um prazo de quatro a cinco anos.
Yuzu pode ampliar o cultivo de citros em áreas hoje limitadas
Um dos pontos mais relevantes da pesquisa é o potencial de o Yuzu redesenhar o cultivo de citros em Santa Catarina.
Hoje, regiões mais frias do Estado, especialmente a Serra catarinense, são consideradas limitadas ou até inadequadas para a exploração comercial de citros mais tradicionais.
De acordo com a equipe técnica da Epagri, o Yuzu apresenta uma tolerância ao frio superior à de culturas como laranja, lima, limões tradicionais e até tangerinas, suportando uma amplitude térmica de até 50°C.
Se essa característica for confirmada nas condições de solo e clima catarinenses, a fruta pode abrir uma nova fronteira para a citricultura no Estado.