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Açúcar tem viés baixista, mas petróleo dá suporte aos preços

Foto do autor Jair Reinaldo
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Açúcar tem viés baixista, mas petróleo dá suporte aos preços
Mesmo com expectativa de maior oferta no Brasil, mercado do açúcar segue sustentado no curto prazo pela alta da energia e pela competitividade do etanol.

Com safra forte no Brasil e fundamentos sem grandes mudanças, mercado do açúcar encontra apoio no petróleo, no etanol e em movimentos técnicos de fundos

O mercado global de açúcar segue sem mudanças relevantes em seus fundamentos, mas continua encontrando suporte no curto prazo por fatores externos, movimentos técnicos e, principalmente, pela força do setor de energia. A avaliação é da Hedgepoint Global Markets, que aponta um cenário de oferta robusta no Brasil, mas com preços ainda sustentados pela alta do petróleo, pela competitividade do etanol e pela atuação de fundos especulativos.

Segundo a análise, a atenção dos agentes continua concentrada na evolução da oferta, especialmente no Brasil, onde as condições climáticas favoráveis e estimativas estáveis reforçam a expectativa de maior disponibilidade de matéria-prima. Para a safra 2025/26, a projeção é de cerca de 610 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com produção estimada em aproximadamente 40,5 milhões de toneladas de açúcar. Já as primeiras sinalizações para 2026/27 apontam potencial de até 630 milhões de toneladas de cana, o que reforça um cenário estruturalmente mais pressionado para os preços da commodity.

Mesmo com esse pano de fundo mais baixista, o mercado encontrou sustentação recente. Na terça-feira, 24, os preços do açúcar chegaram perto de 15,8 centavos de dólar por libra-peso, consolidando uma faixa de negociação entre 15,4 e 15,9 centavos por libra, considerada relativamente construtiva pelo mercado, embora ainda bastante sensível à volatilidade internacional.

Oferta robusta no Brasil mantém viés baixista no médio prazo

Na visão da Hedgepoint, o principal vetor estrutural continua sendo a perspectiva de oferta mais confortável, especialmente a partir do desempenho do Centro-Sul brasileiro. Com clima favorável e manutenção das projeções para a safra, o mercado segue monitorando um cenário em que a disponibilidade de açúcar tende a crescer, limitando movimentos mais fortes de alta baseados apenas em fundamentos.

Esse quadro tende a pesar sobre as cotações no médio e longo prazo, principalmente se a safra brasileira confirmar volumes próximos aos estimados. O avanço da produção, somado às expectativas iniciais positivas para o ciclo 2026/27, reforça a percepção de que o mercado global deve continuar bem abastecido, o que naturalmente reduz a força compradora baseada exclusivamente em escassez de oferta.

Ainda assim, o comportamento recente dos preços mostrou que o mercado não está sendo guiado apenas por fundamentos tradicionais. Parte da alta observada nas últimas sessões foi atribuída à cobertura de posições vendidas por fundos especulativos, que recompraram contratos em meio a um ambiente de maior tensão geopolítica e incerteza macroeconômica.

De acordo com Lívea Coda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o suporte recente veio mais de fora do próprio mercado de açúcar do que de alterações reais na oferta e demanda da commodity. Na prática, isso significa que a atual sustentação pode ser temporária e mais vulnerável a mudanças bruscas de humor nos mercados internacionais.

Petróleo e etanol ajudam a criar piso para os preços

O principal fator de sustentação no curto prazo vem do mercado de energia. A forte valorização do petróleo em 2026, com o Brent acumulando alta de cerca de 78% desde o início do ano, passou a influenciar diretamente o mercado do açúcar, especialmente no Brasil, onde as usinas têm flexibilidade para direcionar a cana entre produção de açúcar e etanol.

Com petróleo mais caro, aumenta a competitividade dos biocombustíveis, e isso pode favorecer o etanol no mercado doméstico. Em um ambiente de maior atratividade do combustível renovável, as usinas podem ajustar o mix produtivo, destinando mais cana para etanol e reduzindo a pressão imediata de oferta sobre o açúcar. Esse mecanismo funciona como uma espécie de piso para os preços da commodity.

Além disso, eventuais repasses de custos no mercado brasileiro podem reforçar ainda mais esse suporte. Se o etanol ganhar espaço na remuneração das usinas, o açúcar tende a manter uma base de preços mais elevada, mesmo diante de uma safra grande. Para o setor sucroenergético, isso representa um fator importante de equilíbrio em um momento em que os fundamentos, isoladamente, apontariam para um mercado mais pressionado.

Por outro lado, a Hedgepoint alerta que esse suporte depende diretamente da evolução do cenário externo. Caso haja redução das tensões geopolíticas, especialmente em relação ao conflito entre Estados Unidos e Irã, ou caso o repasse de custos no mercado interno seja mais limitado, os preços podem voltar a refletir com mais intensidade os fundamentos de oferta abundante.

Para o produtor e para as usinas, o cenário atual exige atenção redobrada. Embora o mercado encontre sustentação no curto prazo, a base dessa firmeza ainda é considerada frágil. Em outras palavras, o açúcar continua apoiado por fatores externos e financeiros, enquanto o peso da safra brasileira segue como elemento central para limitar movimentos mais duradouros de alta.

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