O mercado do boi gordo encerrou a última semana de março em alta em Mato Grosso, mantendo o movimento de valorização mesmo com escalas de abate ainda consideradas confortáveis. Segundo boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a arroba do boi gordo à vista foi cotada, em média, a R$ 336,27 na semana encerrada em 27 de março, avanço de 1,82% em relação à semana anterior e de 3,88% na comparação com o mesmo período do mês passado.
A vaca gorda também acompanhou a tendência positiva no Estado. O preço médio pago à vista chegou a R$ 309,21 por arroba, com valorização semanal de 1,69%. Para o instituto, mesmo em um cenário de oferta ainda relativamente elevada, o mercado segue sustentado por fatores importantes, como a demanda externa firme, a valorização da carne bovina exportada e o bom desempenho do consumo doméstico.
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Exportações e mercado interno dão suporte às cotações
Apesar de a média das escalas de abate em Mato Grosso ter permanecido em 9,31 dias, com leve recuo de 0,69% no comparativo semanal, os preços continuaram firmes. Na leitura do IMEA, isso mostra que a demanda tem sido suficiente para absorver a oferta disponível, o que mantém sustentação para as cotações da arroba mesmo sem aperto expressivo na disponibilidade de animais terminados.
Outro indicativo de aquecimento veio do atacado. A ponta de agulha bovina registrou alta de 1,92% na semana, sendo cotada a R$ 19,90 por quilo. O avanço reflete uma demanda mais aquecida no mercado interno, fator que também reforça a sustentação dos preços em toda a cadeia pecuária no curto prazo.
Com esse cenário, a expectativa do IMEA para os próximos dias é de manutenção das cotações, já que o mercado segue amparado por exportações em patamares elevados e por uma demanda doméstica ainda favorável.
Reposição recua e mercado futuro renova máximas
Enquanto o boi gordo e a vaca gorda avançaram, a reposição apresentou movimento contrário. O preço do bezerro de ano (7 arrobas) em Mato Grosso recuou 4,28% na comparação semanal, com média de R$ 15,02 por quilo. Já a bezerra de 6 arrobas teve retração de 3,42%, sendo cotada a R$ 11,98 por quilo. O recuo abre espaço para melhora momentânea na relação de troca para pecuaristas que atuam na recria e engorda, em um momento em que o boi terminado segue valorizado.
No mercado futuro, a B3 reforçou o viés altista e renovou máximas nos contratos de curto prazo. De acordo com o boletim, os vencimentos para abril e maio de 2026 registraram altas de 3,47% e 3,45%, respectivamente, em relação à última semana de fevereiro. As médias ficaram em R$ 363,06 por arroba para abril e R$ 359,31 por arroba para maio, refletindo o ajuste das expectativas de oferta no curto prazo diante do recuo dos abates em relação a períodos anteriores.
No mercado físico a prazo em Mato Grosso, a arroba também acompanhou esse movimento e avançou 3,67% no mesmo comparativo, alcançando média de R$ 335,65 por arroba. Para o IMEA, o mercado futuro já incorporou a combinação entre menor ritmo de abates no Brasil e bom desempenho das exportações, o que mantém o viés positivo para os contratos mais próximos.
Os dados mensais ajudam a explicar esse ambiente. Em fevereiro, Mato Grosso exportou 86,42 mil toneladas equivalentes carcaça (TEC) de carne bovina, com receita de US$ 380,03 milhões. No mesmo período, o abate total de bovinos no Estado somou 566,58 mil cabeças, abaixo das 641,04 mil registradas em janeiro. A redução foi puxada principalmente pela queda no abate de machos, que passou de 330,49 mil para 266,92 mil cabeças, enquanto o abate de fêmeas recuou de 310,55 mil para 299,66 mil.
Para o pecuarista, o momento exige atenção à estratégia comercial. A firmeza do boi gordo e da vaca gorda, combinada com exportações aquecidas e consumo interno favorável, abre espaço para boa remuneração no curto prazo. Ao mesmo tempo, o avanço dos contratos futuros sinaliza que o mercado continua apostando na sustentação das cotações, enquanto o recuo do bezerro pode representar oportunidade para quem busca recompor ou ampliar a reposição.
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