Segundo diretriz estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a imunização contra a febre aftosa passará por reformulações operacionais e imunológicas no país para conter reações adversas nos rebanhos. A pasta encaminhou pedido formal aos laboratórios fabricantes do setor veterinário para reduzir o volume de aplicação por animal de 5 ml para 2 ml. O diretor do Departamento de Saúde Animal do Mapa e presidente da Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), Guilherme Marques, pontuou que o estágio sanitário brasileiro dispensa doses volumosas ou sobredimensionadas.
A adequação volumétrica traz ganhos diretos à eficiência logística e operacional, diminuindo a ocupação de espaço na cadeia de frio e no transporte das doses pelo interior. A mudança técnica coincide com o planejamento oficial para a retirada gradual e definitiva da vacinação obrigatória do território nacional, etapa essencial para que o país conquiste perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) o reconhecimento sanitário de área livre de febre aftosa sem vacinação.
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Exclusão do sorotipo C nas formulações industriais
Outra alteração estruturante envolve a eliminação do sorotipo C da composição biológica das vacinas. A medida foi respaldada por levantamento do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), que atestou a ausência de circulação do vírus tipo C na América do Sul. A partir dessa comprovação científica, a Cosalfa recomendou a suspensão do uso do antígeno na região durante sua 44ª reunião ordinária.
Conforme apontam os registros sanitários internacionais, o último foco verificado do sorotipo C em todo o continente americano ocorreu em 2004. Diante do histórico epidemiológico favorável e dos ensaios conduzidos em solo nacional, as autoridades deliberaram pela exclusão definitiva do vírus C de todas as partidas de vacinas fabricadas no Brasil.
Monitoramento sanitário e mercado externo
O aprimoramento da composição vacinal também dialoga com exigências do comércio internacional de proteínas. Ao tratar de relatos pontuais sobre reações teciduais associadas à aplicação da vacina identificadas em lotes de carne bovina destinados aos Estados Unidos, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, garantiu que os efeitos secundários na musculatura dos animais não acarretam riscos à saúde do consumidor.
Como medida de cautela institucional e para preservar a imagem dos produtos nacionais, o Mapa interrompeu temporariamente a certificação pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) dos envios ao importador norte-americano até a conclusão de ajustes técnicos nas plantas de abate. O recurso à auto suspensão preventiva funciona como protocolo sanitário estratégico, permitindo prestar esclarecimentos técnicos com maior agilidade e restabelecer a normalidade do fluxo comercial entre os dois países.
