O vazio sanitário da soja entra em sua reta conclusiva em Mato Grosso do Sul. Em vigor desde 15 de junho, a medida fitossanitária estende-se até 15 de setembro, tendo como propósito central quebrar o ciclo biológico e a proliferação do fungo causador da ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi). Durante o intervalo, a legislação proíbe rigorosamente a presença de plantas vivas da cultura nos talhões, incluindo indivíduos voluntários como guaxas e tigueras.
Com a autorização para a semeadura liberada a partir de 16 de setembro — com janela permitida até 31 de dezembro —, as propriedades entram na fase de revisão e calibragem agronômica. O analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, pontua que a antecedência operacional define a eficiência da safra:
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"Com a aproximação do fim do vazio sanitário, o produtor entra em uma fase importante de preparação para a nova safra. É o momento de avaliar as condições do solo, conferir os resultados das análises e planejar a adubação de acordo com a necessidade de cada área. Também é importante verificar a qualidade e a procedência dos fertilizantes. Esse planejamento permite corrigir limitações, organizar a compra dos insumos e entrar no plantio com uma estratégia mais adequada para cada talhão."
Controle severo de buva e dessecação pré-plantio
Um dos pontos críticos destacados pela consultoria técnica reside no manejo de plantas daninhas nas áreas recém-saídas da colheita do milho segunda safra. Espécies do gênero Conyza, popularmente conhecidas como buva, apresentam tolerância crescente a herbicidas e exigem pulverizações combinadas antes da colocação das sementes nos sulcos.
Santana adverte que iniciar a safra com a palhada infestada compromete o arranque inicial das plântulas: "O ideal é fazer o monitoramento antecipado e realizar o controle das plantas daninhas antes da semeadura, considerando as espécies presentes, o estádio de desenvolvimento e as características de cada talhão. Entrar com a área limpa é fundamental para evitar a matocompetição desde a emergência".
Na visão do diretor da Aprosoja/MS e agricultor em São Gabriel do Oeste, Sérgio Marcon, o início da distribuição de adubos e a dessecação já foram disparados, mas as plantadeiras só entrarão em campo após a consolidação da umidade:
"A gente espera a normalização das chuvas, porque nós até podemos plantar, mas se não tiver uma boa perspectiva de precipitações no decorrer, a gente retarda um pouquinho para iniciar com tranquilidade, sem botar em risco a semente e os tratos culturais que a gente faz com antecedência. É um ano diferente, vieram chuvas, teoricamente em data boa."
El Niño no radar e projeção de colheita menor
Os modelos climáticos compilados pelo Cemtec/Semadesc para o trimestre de setembro a novembro indicam que os acumulados de precipitação podem ficar próximos ou ligeiramente acima da média histórica. Contudo, a presença ativa do El Niño tende a provocar irregularidade na distribuição espacial das chuvas na fase de transição de estação, somada ao risco de ondas de calor intenso.
Esse quadro meteorológico instável reflete-se em estimativas conservadoras para o fechamento da safra. Dados preliminares levantados pelo Projeto SIGA-MS, operacionalizado pela Aprosoja/MS com apoio do Fundems, apontam para uma produtividade média estimada em 52,4 sacas por hectare no ciclo 2026/27, o que representa uma retração de 13,2% em comparação aos números consolidados na temporada anterior.
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