O cenário de bloqueio das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia foi confirmado, como esperado, surpresa zero para quem acompanha a questão entre o bloco europeu e o Brasil. Em um aspecto, podemos acreditar que se trata de uma barreira comercial disfarçada de barreira sanitária. Por outro lado, sabemos que o grupo de países importador havia informado a condição há sete anos e, infelizmente, não se andou para convencer sobre as condições nacionais do uso de antimicrobianos ou, ainda, um protocolo de não-uso.Afinal, quais são os desdobramentos? Não se pode ir por um caminho resumido para entender a Europa como destino da carne bovina brasileira, em números absolutos, por exemplo, no ano passado, 2025, 3,7% do volume exportado pela indústria brasileira foi para o bloco europeu, o que representou 5,8% do faturamento. Contudo, apenas isso, não explica a relevância.A tonelada da carne bovina paga pelos europeus supera, facilmente, a marca dos US$ 7 mil, não raro, há registros de tonelada comercializada em US$ 10 mil. As características dos cortes tem forte influência nesta precificação, tratam-se de cortes de traseiro, como filé mignon, contrafilé, peça de alcatra, etc.
A suspensão pesa contra o preço do boi gordo ou eleva a oferta de carne no Brasil?
Não para as duas perguntas. O volume de carne bovina exportada para europa não é elevado, além disso, o segundo semestre do ano representa menor produção no Brasil. A carne pode ser absorvida no mercado doméstico, por exemplo, mas pelo mesmo motivo que não influência no preço do boi, também não vai representar elevação de oferta. Além disso, o deficit de carne bovina no mundo é gigantesco.Para encerrar, a semana que já começou com altas para a arroba do boi gordo nas praças de São Paulo e Mato Grosso do Sul, deve seguir em alta durante a primeira quinzena de setembro e encontrar mais motivos para subir na última semana do mês, com o reinicio das negociações entre a indústria frigorífica exportadora e importadores chineses.
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