Mato Grosso revisa safra de soja para recorde de 51,56 mi t
Imea revisa para cima a produtividade e confirma nova estimativa recorde para a safra 2025/26, mesmo com irregularidade das chuvas e excesso de precipitações na colheita
A safra 2025/26 de soja em Mato Grosso foi revisada para cima e deve alcançar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas, segundo os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A nova estimativa reforça a força da produção estadual mesmo diante de um ciclo marcado por desafios climáticos, com irregularidade das chuvas no início do plantio e excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita.
A atualização foi apresentada em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (06/04) e também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde registrado na temporada anterior. Com isso, Mato Grosso mantém o protagonismo no cenário nacional e amplia a relevância da safra para o abastecimento e para a formação das expectativas de mercado.
O levantamento de campo foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações em lavouras e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O projeto é conduzido em parceria com a Aprosoja Mato Grosso e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), com o objetivo de ampliar a precisão das informações por meio de observações presenciais nas propriedades.
Com base nos dados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% na comparação com a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% em relação à safra passada. Com isso, a produção estadual foi projetada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Clima desafiou lavouras, mas safra manteve bom desempenho
Durante a apresentação, a equipe técnica do Imea destacou que a safra foi marcada por condições climáticas desafiadoras desde o plantio até a colheita. A irregularidade das chuvas no início da semeadura trouxe incertezas para o desenvolvimento inicial das lavouras, enquanto o excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita também gerou preocupação entre os produtores.
Apesar disso, o desempenho das áreas foi considerado satisfatório, com a safra conseguindo manter bom potencial produtivo ao longo do ciclo. Ainda assim, um dos fatores de atenção apontados pelo projeto foi o aumento na incidência de grãos avariados. Na comparação com a temporada anterior, houve avanço de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo o Imea, limitou um crescimento ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes. Já o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. A região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção total, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, destacou que o diferencial do projeto está justamente na apuração direta em campo, sem intermediários, o que amplia a segurança e a precisão dos dados apresentados ao mercado.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou.
Dados mais precisos ajudam mercado e produtor
Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, a consolidação de informações mais próximas da realidade das lavouras tem impacto direto no dia a dia do produtor rural e no comportamento do mercado, especialmente em um estado que lidera a produção nacional.
Segundo ele, dados técnicos mais consistentes ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e fortalecem o planejamento das próximas safras, além de trazerem mais credibilidade às projeções.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou.
Além da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho em Mato Grosso. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado, fator que mantém o mercado atento ao risco climático nas próximas semanas.
Mesmo assim, a estimativa atual da safrinha segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial produtivo.