A semana encerra consolidando um viés firme de valorização para o boi gordo e a reposição nas principais praças pecuárias do País, respaldado pelos números do comércio exterior. As exportações brasileiras de carne bovina no mês de julho atingiram o terceiro melhor desempenho da história para o período, totalizando um faturamento de US$ 1,447 bilhão.
O volume total embarcado no mês registrou retração de 17,7% na comparação anual, somando 227,94 mil toneladas. A redução no fluxo físico foi provocada essencialmente pelo recuo nos embarques destinados à China, que absolveu cerca de 76 mil toneladas a menos no mês.
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Entretanto, o impacto no faturamento foi minimizado pelo forte salto na valorização do produto brasileiro no exterior: a tonelada média foi negociada a US$ 6.350,50 — patamar cerca de US$ 800 superior ao registrado em julho de 2025 —, o que limitou a queda da receita em dólar a apenas 5,8%. A sustentação do faturamento veio do avanço das vendas para destinos alternativos, com destaque para Estados Unidos, Turquia, Arábia Saudita e Chile.
Mercado físico, reposição e perspectiva de preços
Dentro da porteira, a arroba do boi gordo mantém viés altista em todas as praças produtoras, com redução no spread em relação às cotações de São Paulo. O mercado futuro, apesar de ter ajustado posições para cima nas últimas semanas, ainda não reflete a dimensão da escassez de matéria-prima e a expressiva valorização observada no bezerro e no boi magro.
A oferta de animais para engorda permanece restrita nos grandes polos pecuários, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. O fluxo corretivo de animais provenientes do Norte do País, especialmente do Pará rumo ao Centro-Oeste, encontra barreiras na concorrência com o mercado de exportação de bovinos vivos. A forte demanda de compradores internacionais por gado em pé tem remunerado melhor o criador nortista, retendo os lotes na região.
Na ponta final da cadeia, a primeira quinzena do mês, associada à entrada da massa salarial na economia, à oferta restrita de boiadas terminadas e ao aquecimento das vendas para o Dia dos Pais, impulsionou altas nos preços da carne no atacado e no varejo. Analistas recomendam atenção do pecuarista para os próximos 45 dias, período em que as condições de pastagens no final do inverno e as estratégias de escala das indústrias devem ditar o ritmo das cotações.
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