O mercado de algodão em pluma encerrou o mês de setembro registrando perda de fôlego nas cotações no balcão doméstico. De acordo com análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a trajetória de recuo foi ditada pela fraqueza das cotações nas bolsas internacionais e pela consequente desvalorização da paridade de exportação, cenário que pesou sobre os negócios principalmente a partir da segunda quinzena.
Apesar da curva descendente verificada ao longo das últimas semanas do mês, o desempenho médio do setor ainda refletiu a valorização acumulada anteriormente: em termos reais (deflacionados), a média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ com pagamento em 8 dias foi a mais elevada registrada para o mercado da pluma desde junho de 2025.
MT amplia produção de algodão em 267% em quase duas décadas
Produção de algodão recua quase 7% em Mato Grosso em 2026
No front operacional, pesquisadores do Cepea destacam que os agentes da cadeia mantiveram o foco prioritário no cumprimento e entrega física dos contratos a termo pré-fixados, atendendo aos compromissos assumidos com as fiações domésticas e com as tradings exportadoras. O ritmo dos embarques portuários brasileiros para os clientes externos manteve-se aquecido durante todo o período.
Demanda fraca no spot e indústria abastecida por contratos
No mercado físico de pronta entrega (spot), a liquidez permaneceu restrita. As indústrias têxteis operaram respaldadas pelos estoques de matéria-prima já acumulados nos pátios fabris e pelas remessas contínuas dos contratos a termo, o que reduziu drasticamente o apetite por novas aquisições à vista.
Com as fiações comprando apenas pequenos volumes para cobrir necessidades pontuais de curto prazo, parte dos produtores e comerciantes precisou ceder nas pedidas para destravar novos lotes. O ambiente de negócios na virada para o último trimestre do ano reflete, assim, um comprador bem abastecido e atento às oscilações internacionais antes de repor estoques adicionais.
