Os trabalhos de campo da safra nacional de trigo 2026 entraram em sua reta final de semeadura nas principais praças agrícolas do País. De acordo com o mais recente relatório de monitoramento de lavouras divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e analisado pelo boletim da TF Agroeconômica, o plantio do cereal alcançou 98,8% da área total estimada nos oito principais estados produtores. O índice supera os 97,4% registrados no mesmo período da semana anterior e se alinha à média dos últimos cinco anos (98,6%).
A evolução da semeadura consolidou-se em quase todas as regiões. Estados como Paraná, São Paulo, Goiás, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul já atingiram 100% da área semeada.
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No Rio Grande do Sul, o plantio alcançou 98,0% da área, registrando desaceleração no ritmo devido a interrupções causadas pelas precipitações recentes. As chuvas frequentes também reduziram a velocidade do desenvolvimento das lavouras gaúchas, que se encontram majoritariamente na fase de desenvolvimento vegetativo.
Em Santa Catarina, a semeadura avançou para 91,0% (frente a 73,0% no mesmo período do ano passado), favorecida por janelas de tempo firme que permitiram o término das operações de plantio e tratos culturais iniciais. No Planalto Sul catarinense, a ocorrência de geadas de fraca intensidade auxiliou no perfilhamento dos perfilhos do rebanho vegetal.
Colheita ganha ritmo no Brasil Central
Enquanto o Sul monitora as lavouras no campo, o Brasil Central já dá início à colheita do trigo 2026. A média nacional de área colhida atingiu 1,8%, impulsionada pelo avanço das máquinas em Goiás e Minas Gerais.
Em Goiás, os trabalhos avançaram para 48,0% da área cultivada (contra 5,0% na semana anterior), aproximando-se da metade do ciclo. As lavouras de trigo de sequeiro no estado caminham para o encerramento da retirada com produtividades consideradas razoáveis.
Em Minas Gerais, a colheita atinge 9,0% das áreas. Segundo os levantamentos da Conab, o início das operações de colheita ocorre de forma cadenciada e concentra-se nas lavouras de sequeiro. No Noroeste mineiro, problemas com a ocorrência de brusone provocada por chuvas tardias resultaram em baixa produtividade e rendimento de grãos. No Triângulo Mineiro, o calor acima da média prejudicou a fase de perfilhamento. Em contrapartida, as lavouras irrigadas do Sul de Minas e do Alto Paranaíba mantêm expectativas de altos rendimentos.
Panorama por estado e perspectiva de mercado
São Paulo: A fase de enchimento de grãos está em estágio final. As condições de umidade no solo permanecem favoráveis e as lavouras não registraram estragos por geadas. O destaque positivo do estado é a região de Itaberá, no Sudoeste paulista.
Mato Grosso do Sul: As precipitações registradas na faixa de fronteira do Sul do estado garantiram reserva hídrica no solo, favorecendo as lavouras em desenvolvimento.
Paraná: Com o plantio encerrado, a predominância de dias ensolarados manteve as lavouras paranaenses sob boas condições sanitárias.
Conforme apontam os analistas da TF Agroeconômica, a finalização do plantio nacional transfere o foco do mercado para o clima nas próximas semanas. Como a oferta do trigo no bloco do Mercosul será mais enxuta nesta temporada, a qualidade tecnológica dos grãos a serem colhidos no Brasil será determinante para a formação dos preços pagos pelos moinhos no segundo semestre.
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