Milho reage em Chicago, mas mercado interno segue acomodado
Clima na Argentina sustenta leve alta nos futuros, enquanto oferta elevada limita avanços no Brasil
Os contratos futuros do milho operam em leve alta na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta quinta-feira, após as perdas registradas na sessão anterior. O movimento reflete uma tentativa de recuperação técnica, apoiada principalmente pelas preocupações com o clima na América do Sul. Ainda assim, a ampla oferta global segue limitando ganhos mais consistentes.
De acordo com a Granoeste, o mercado internacional encontra algum suporte na perspectiva de tempo mais seco e quente na Argentina, fator que mantém o foco sobre o desenvolvimento das lavouras no país. A produção argentina é estimada em 59,8 milhões de toneladas, segundo a consultoria Safras, e qualquer impacto climático pode influenciar a formação de preços no curto prazo.
Apesar disso, o cenário global permanece marcado por oferta abundante. Estados Unidos e China, os dois maiores produtores de milho do mundo, devem registrar produções recordes, estimadas em 432,3 milhões de toneladas e 301,0 milhões de toneladas, respectivamente, conforme dados do USDA. Juntos, os dois países respondem por quase 60% da produção mundial, o que reduz o espaço para movimentos mais intensos de valorização.
Brasil com mercado pressionado pela oferta
No mercado doméstico, o ritmo segue lento neste início de ano. A colheita da safra de verão já começou e amplia a disponibilidade do cereal em algumas regiões, especialmente no Sul do país. Com isso, os preços permanecem pressionados e o volume de negócios continua restrito.
No oeste do Paraná, as indicações de compra são pontuais, com valores entre R$ 62,00 e R$ 63,00 por saca. Em Paranaguá, as cotações variam de R$ 68,00 a R$ 70,00, conforme o prazo de pagamento e as condições de entrega. No interior, os preços também oscilam de acordo com a localização dos lotes.
Na B3, os contratos futuros apresentam leve recuo. O vencimento março é negociado em torno de R$ 69,15, enquanto o maio gira próximo de R$ 68,50. Já o câmbio opera em leve queda, ao redor de R$ 5,31, influenciando a formação dos preços internos.

Camilo Motter
Possui graduação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(1981), graduação em Economia pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Cascavel(1985), especialização em Teoria Econômica pela Universidade Federal do Paraná(1989) e mestrado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina(2001). Tem experiência na área de Economia. Atuando principalmente nos seguintes temas:Maximização da Renda, Informação, Comercialização. É diretor da Corretora Granoeste, de Cascavel/PR.