Soja recua em Chicago e incertezas comerciais pressionam mercado
Cotações caem para US$ 11,29 em Chicago, enquanto colheita avança no Brasil e prêmios seguem pressionados
O mercado global da soja segue envolto em incertezas e registra novas quedas na Bolsa de Chicago. Na manhã desta terça-feira, os contratos operam com recuo de 5 pontos, cotados a US$ 11,29 por bushel no vencimento março. No dia anterior, as perdas variaram entre 2 e 3 pontos.
De acordo com análise de mercado divulgada pela Granoeste, o ambiente externo continua determinando o ritmo dos negócios.
Desde a última sexta-feira, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal o tarifaço imposto pelo ex-presidente Donald Trump, as cotações perderam força. Apesar da decisão, novas tarifas entre 10% e 15% passaram a ser aplicadas por outros instrumentos legais, somando-se às taxas já existentes.
Além disso, o clima de incerteza influencia diretamente as relações comerciais entre Estados Unidos e China. Há expectativa de que os chineses revisem acordos anteriores de importação da soja norte-americana.
Outro fator de pressão veio do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). As inspeções de embarque somaram 0,67 milhão de toneladas na última semana. No acumulado da temporada, o volume atinge 25 milhões de toneladas, queda de 32% frente ao mesmo período do ano passado.
Brasil amplia oferta
No Brasil, a colheita da soja avança entre 35% e 40%. Com isso, a oferta aumenta gradualmente e pressiona os prêmios nos portos.
Os preços brasileiros acabam se tornando mais competitivos para compradores internacionais, especialmente quando comparados aos praticados no Golfo do México.
Atualmente, os prêmios no mercado spot variam entre 10 e 20 pontos. Para abril, os valores indicados estão entre -15 e -5 pontos. Já para maio, variam de 5 a 15 pontos.
No Oeste do Paraná, as indicações de compra giram entre R$ 116,00 e R$ 118,00 por saca. Em Paranaguá, os valores ficam entre R$ 127,00 e R$ 130,00, a depender do prazo de pagamento e das condições de embarque.
De acordo com a Granoeste, o cenário segue sensível às decisões políticas externas e ao avanço da colheita brasileira, fatores que devem continuar direcionando o mercado nos próximos dias.

Camilo Motter
Possui graduação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos(1981), graduação em Economia pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Cascavel(1985), especialização em Teoria Econômica pela Universidade Federal do Paraná(1989) e mestrado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina(2001). Tem experiência na área de Economia. Atuando principalmente nos seguintes temas:Maximização da Renda, Informação, Comercialização. É diretor da Corretora Granoeste, de Cascavel/PR.