Ministro da Educação vai ao Congresso se explicar sobre questões do Enem

O ministro da Educação, Camilo Santana, foi ouvido como convidado nesta quarta-feira (22/11) por parlamentares na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados

Publicado em 23/11/2023

O tratamento dado ao agro nas questões da última prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) levou os parlamentares da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) a convocarem o ministro da Educação, Camilo Santana, para prestar esclarecimentos nesta quarta-feira (22/11). Segundo os deputados membros da FPA houve politização do tema nas provas e ainda a discriminação do setor.

A reunião atende ao Requerimento de convite (152/2023) elaborado por 11 membros da bancada que questiona Santana sobre três questões específicas (70, 71 e 89) da prova do Enem e os critérios da banca organizadora do exame e referências usadas nas questões.
Para a FPA, o posicionamento de Camilo Santana foi lamentável e trouxe respostas rasas
Para a FPA, o posicionamento de Camilo Santana foi lamentável e trouxe respostas rasas

A sessão iniciou com a pergunta do deputado e membro da FPA, Paulo Bilynskyj (PL-SP) que questionou o ministro sobre a abordagem sobre os fatores negativos do agronegócio no cerrado. “A questão está errada. Esta classificação não existe, por uma questão técnica óbvia. Senhor ministro, não existe chuva de veneno. Isso é impossível. Chuva é uma precipitação da água da atmosfera”.
O governo não respeita o agro. Todo mundo gosta de falar que o Brasil é o celeiro do mundo, que alimenta um bilhão de pessoas e o ENEM faz questões como essas
afirmou. Deputado federal Luciano Lorenzini Zucco

E prosseguiu: “Quando a questão fala que ocorre um cerco aos camponeses inviabilizando a manutenção da vida, ela está dizendo que o agronegócio é genocida, o que é errado, tecnicamente incorreto. O senhor irá determinar a anulação de uma questão que está em desacordo com todos os consensos já conhecidos por todos os seres humanos que estudaram?”

Em resposta, o ministro afirmou que não há menor interferência do Ministério da Educação ou do governo atual nas provas do Enem e que a comissão que elaborou a prova foi a comissão do governo passado. “Os professores foram selecionados em 2020, os itens foram criados em 2021.
Em seguida o deputado Paulo Bilynskyj rebateu: “eu entendo que a questão foi formulada pela comissão do último governo, mas o senhor tem que anular uma questão que está obviamente errada, a gente tem que ter honestidade intelectual, esse é o Ministério da Educação, a educação tem que ser correta, se não, não vale nada”.

No decorrer da sessão, a deputada Bia Kicis (PL-DF), que presidiu a mesa no início da audiência, também repudiou a questão 89 do exame do Enem que ataca o agro no Centro-Oeste. “Eu tive o prazer e a honra de trabalhar com o ministro Alysson Paolinelli, um grande brasileiro e ministro da agricultura. Ele foi responsável por tornar as terras do Centro-Oeste, que eram terras que nada valia, que não eram terras plantáveis, em um grande celeiro. Foi feito no cerrado algo que deve servir de exemplo para o mundo. Eu tenho muito orgulho do agro no Distrito Federal”, pontuou a parlamentar e membro da FPA.

“Nós estamos tratando aqui de uma questão que foi elaborada a partir de um livro que trata de interpretação. Isso significa que não foi um posicionamento do governo e nem do Ministério da Educação”, respondeu Santana.
Já o deputado Luciano Lorenzini Zucco reforçou que a agropecuária representa quase 30% da arrecadação do PIB. “O governo não respeita o agro. Todo mundo gosta de falar que o Brasil é o celeiro do mundo, que alimenta um bilhão de pessoas e o ENEM faz uma questão dessa. A minha fala é como professor e estou aqui com a intenção de que o agro seja respeitado”, afirmou.

O ministro respondeu que o fato de ter saído uma questão do ENEM que foi elaborada pelo governo passado, isso não quer dizer que o presidente Lula é contra o agronegócio. “Repito, o maior Plano Safra da história desse país foi lançado agora pelo presidente”, pontuou o ministro Santana.

Para o vice-presidente da FPA, deputado Evair de Melo (PP-ES), o posicionamento de Santana foi lamentável e trouxe respostas rasas. O parlamentar esperava que o ministro fosse mais pragmático e crítico ao conteúdo da formação do Enem, que será a base de materiais que serão trabalhados nas salas de aulas no futuro.
“O ministro mostrou total irresponsabilidade com o principal setor da nossa economia. Todo tempo se justificando e trazendo posições ideológicas diferentes, que é lamentável. Nós pedimos ao ministro que faça uma intervenção de todo conteúdo já produzido, seguiremos monitorando”, frisou o parlamentar.
TAGS:
COMENTÁRIOS
“Noticia RASA. Ou será que rasos são nossos politicos?” - Autor: Ana Musa

O QUE VOCÊ ACHOU DESSE CONTEÚDO? DEIXE SEU COMENTÁRIO...

Destaques
Mais lidas
1
Quedas e oscilações de energia causam prejuízo milionário no campo
2
Arroba do gado pronto tem queda em algumas praças brasileiras
3
Brasil ainda tem fortes pancadas de chuva nesta sexta
4
Soja encerra a semana com mais um dia de queda na Bolsa de Chicago
5
Mais um dia de forte queda para o complexo da soja em Chicago
6
Mau cheiro de navio com 19 mil bois do RS surpreende moradores da Cidade do Cabo
7
Brasil deve seguir com grande produção bovina em 2024 e elevar exportações
8
Conheça o AgroBanker, a nova carreira do agronegócio
9
PR está entre os os três maiores exportadores do agronegócio do país em janeiro
10
Calor volta a acelerar a maturação do tomate e preço cai nos atacados
Assine nossa NEWSLETTER
Notícias diárias no seu email!



Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.