Oferta restrita e atraso na colheita elevam preços do feijão em janeiro
Indicador Cepea/CNA aponta altas expressivas para feijão preto e carioca, em cenário oposto ao registrado no início de 2025
Oferta ajustada e colheita mais lenta sustentaram a valorização do feijão preto e do feijão carioca no mercado brasileiro em janeiro. Foto: CNA / Divulgação
O mercado brasileiro de feijão fechou janeiro em forte valorização, sustentado pela oferta restrita e pelo atraso na colheita da primeira safra. Dados do indicador Cepea/CNA mostram altas relevantes na maioria das regiões acompanhadas, com destaque para o feijão preto e o feijão carioca de melhor qualidade.
No acumulado do mês, o feijão carioca registrou a maior valorização dos últimos quatro meses. Já o feijão preto apresentou a maior alta mensal desde o início da série do Cepea/CNA, iniciada em setembro de 2024. O movimento contrasta com janeiro do ano passado, quando a maior disponibilidade do grão pressionou as cotações.
No caso do feijão preto tipo 1, a combinação entre demanda mais aquecida e oferta limitada impulsionou os preços em Curitiba (PR). Na última semana de janeiro, a cotação avançou 9,1%, apoiada, sobretudo, pelos embarques interestaduais. Na média mensal, os valores ficaram quase 14% acima dos registrados em dezembro. Apesar disso, ainda permanecem cerca de 16% abaixo dos níveis observados em janeiro de 2025.
Para o feijão carioca com notas 9 ou superiores, a escassez de lotes de alta qualidade intensificou a reação do mercado. Entre 22 e 29 de janeiro, os preços subiram mais de 10% em praças como o Noroeste de Minas, Itapeva (SP) e Curitiba (PR). Na média do mês, houve avanço de 4,9% frente a dezembro, com as cotações passando a operar cerca de 10% acima das registradas em janeiro do ano passado.
Já o feijão carioca com notas 8,0 e 8,5 também apresentou altas generalizadas. Esse movimento reduziu o diferencial de preços em relação ao produto de melhor qualidade. Na média de janeiro, esse grupo atingiu os maiores patamares da série iniciada em setembro de 2024, com valorização de 5,1% na comparação mensal e de 19,3% frente a janeiro de 2025.
