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Volatilidade do real deve marcar trimestre entre riscos globais e fiscais

Decisões nos EUA, cenário eleitoral brasileiro e política monetária desafiam trajetória da moeda nacional

Volatilidade do real deve marcar trimestre entre riscos globais e fiscais

Volatilidade do real é influenciada por fatores globais e fiscais. Foto: Canva

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Foto do autor Redação RuralNews
07/11/2025 |

O último trimestre de 2025 apresenta cenário desafiador para a volatilidade do real, marcado por riscos tanto internacionais quanto domésticos. Segundo Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX, a moeda nacional está no centro de decisões econômicas nos EUA, mudanças no mercado de trabalho global, expectativas de juros e incertezas fiscais internas.

Influência da política econômica internacional

De acordo com o Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, a política econômica norte-americana gera instabilidade nos mercados. Por exemplo, as tarifas de importação aumentaram de 2,4% em 2024 para 17,4% em 2025, representando a maior carga desde 1935. Como os exportadores mantiveram os preços, os custos internos nos EUA subiram, pressionando a inflação.

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Apesar disso, os preços ao consumidor subiram menos do que o esperado. Isso ocorreu devido à antecipação de estoques, absorção de custos e ganhos de eficiência operacional. Ainda assim, o Federal Reserve monitora se essas pressões podem se tornar persistentes, especialmente diante do crescimento da atividade produtiva e da demanda interna, reforçou Mattos.

O mercado de trabalho americano apresenta sinais contraditórios. A desaceleração na geração de empregos, concentrada em educação, saúde e lazer, contrasta com a estabilidade da taxa de desemprego. Em parte, isso se deve à redução do fluxo migratório, que limitou o crescimento da força de trabalho. Consequentemente, investidores esperam cortes de juros mais rápidos, o que tende a enfraquecer o dólar e favorecer moedas emergentes como o real.

Desafios internos e fiscais do Brasil

No Brasil, o Copom mantém a taxa Selic elevada por período prolongado. A estratégia busca estabilizar preços mesmo com desaceleração econômica e queda das expectativas inflacionárias. Dados aquecidos do mercado de trabalho reforçam essa postura, ampliando o diferencial de juros e atraindo capital estrangeiro, fortalecendo o real, explicou Mattos.

Entretanto, o cenário fiscal brasileiro permanece como preocupação relevante. A aproximação das eleições de 2026 e dificuldades de articulação política aumentam o risco percebido pelos investidores. Apesar do compromisso com metas fiscais, há resistência em cortar gastos e possibilidade de ampliação de despesas para influenciar pesquisas eleitorais, alertou Mattos.

Assim, o conjunto de fatores cria cenário complexo para a volatilidade do real. O enfraquecimento do dólar e o diferencial de juros favorecem valorização da moeda nacional. Por outro lado, receios fiscais e aversão ao risco global podem limitar ganhos e gerar oscilações cambiais.

A evolução do real nos próximos meses dependerá da capacidade das autoridades brasileiras e norte-americanas de garantir estabilidade, previsibilidade e confiança nos mercados. Analistas e investidores permanecem atentos a qualquer desdobramento que possa alterar o balanço de riscos e redefinir expectativas para o câmbio.

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Editor RuralNews
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TAGS: #Volatilidade do real # Trimestre
# Riscos globais # Fiscais # Decisões nos EUA # Cenário eleitoral brasileiro
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