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Alterações climáticas afetam cultivo e produtividade da batata

Foto do autor Francieli Galo
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Alterações climáticas afetam cultivo e produtividade da batata
Produção de batata no Paraná - Crédito da imagem: Gilson Abreu/AEN

Fatores como região geográfica, tempo, cultivar e destino final compõem delicada equação que exige conhecimento, manejos diferenciados e adaptações constantes do agricultor

As alterações climáticas têm bagunçado a rotina dos produtores de batata no Brasil. Região, clima, cultivar e destino final da produção (mesa ou indústria) compõem uma delicada equação que exige conhecimento, manejos diferenciados e adaptações constantes do agricultor.

O desafio é grande e tem aumentado conforme as temperaturas se tornam mais frequentemente inesperadas no calendário climático brasileiro. Quando a equação leva em conta que plantar um hectare de batata custa dez vezes mais que um hectare de cereal e que uma doença mal gerida chega a comprometer 100% da produção, o bataticultor pode ser encarado como um grande tomador de risco.

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Ainda que o arroz e o feijão sejam um clássico nacional, a batata figura entre os protagonistas da alimentação no país. Com múltiplos preparos, natural ou industrializada, o tubérculo faz parte da rotina alimentar do brasileiro.

No ano passado, foram produzidas 4,2 milhões de toneladas no Brasil, segundo o Instituto Brasilerio de Geografia e Estatística (IBGE), entre batatas de mesa, com venda direta ao consumidor, e para a indústria, transformada principalmente em batatas fritas.

Mesmo com a devida importância na dieta brasileira, a produção de batatas enfrenta grandes desafios no País. Segundo a bióloga Adriana Micheli, mestre em entomologia, doutora em fitopatologia e especialista em batatas, os riscos do cultivo são grandes e o produtor precisa errar o mínimo possível para garantir uma boa colheita.De acordo com ela, a batata é um cultivo dinâmico, o produtor não consegue seguir uma cartilha, depende de variações climáticas que interferem no surgimento de pragas e doenças.

A bióloga afirma que há uma grande demanda por informações sobre o cultivo de batatas no Brasil hoje e escassez de instituições e pesquisadores dedicados a esse produto no país. “Essas informações precisam ser mais acessíveis ao produtor”, afirma Adriana.

“Na safra passada o produtor da região sudeste de São Paulo enfrentou muito calor e falta de chuva, o que reduziu a produtividade em relação a anos anteriores, já na safra de setembro do ano passado na região de Guarapuava, tivemos excesso de chuva, o que também afetou a produtividade. Essas alterações climáticas estão cada vez mais frequentes”, afirma a especialista. O manejo adequado da planta é fundamental para o sucesso da produção. É preciso saber o momento certo de intervir na plantação para garantir maior produtividade.

Resiliência

Embora calendarizar o manejo do cultivo da batata seja uma tarefa difícil, Adriana comenta que quem consegue se antecipar às pragas e doenças obtém melhores resultados. “O bataticultor precisa ser muito atento e resiliente. Quando se fala em resiliência, se fala em batata”, diz. Ela aponta que o perfil dos produtores de batata está mudando no Brasil nos últimos anos.

Adriana lembra que, de modo geral, o produtor arrenda as terras para desenvolver o cultivo, com plantios em sequência. Ela comenta que nos últimos anos, porém, vem aumentando o número de produtores que cultivam a planta em terras próprias, com preparo antecipado e correção do solo para evitar riscos e garantir a produtividade.

O manejo do cultivo dita o resultado da colheita. “A escolha do produtor no manejo da cultura de batata pode representar maior ou menor produtividade. Essa escolha faz toda a diferença no resultado final”, alega a especialista.

Desafios

A requeima é uma das principais doenças que afetam a batata, principalmente nos períodos mais frios. Também conhecida como mela, é causada pelo Phytophthora infestans, um organismo morfologicamente próximo aos fungos. Mais próximo do verão, os grandes desafios do cultivo são as pragas e a pinta-preta, causada por fungos do gênero Alternaria. Nos últimos anos, a doença tem se tornado mais agressiva e destrutiva em algumas regiões produtoras, o que tem dificultado o seu manejo.

Adriana comenta que o clima interfere no surgimento das pragas e doenças da batata. Na última safra em Guarapuava, a pinta-preta apareceu antes do previsto, assim como a mosca-minadora. José Rodolfo Forti, especialista em Desenvolvimento Técnico do Mercado da Ascenza, alerta que, conforme o clima, doenças secundárias podem passar a ser primárias.

“A larva-alfinete ocorre na maior parte das produções de batata, independentemente da região, mas a incidência de doenças e pragas varia muito. Requeima, pinta preta, mosca-minadora e mosca-branca afetam bastante a cultura de batatas. Ocorrências de murcha de verticílio, sarna e nematoides também preocupam os produtores do tubérculo”, aponta Adriana.

Prevenção, alerta e apaga-fogo

Segundo a bióloga, a cada 10% de severidade da praga ou doença, o produtor perde 190 quilos de batata por hectare. Mas ela lembra que há uma grande variedade de produtos para o manejo de pragas e doenças, inclusive biológicos e novas moléculas. Adriana divide o manejo em três fases principais.

“Há produtos específicos para uso preventivo com a finalidade de proteger o cultivo. Há os de alerta, que têm a função de evitar que a doença entre na plantação, e há os chamados apaga-fogo ou curativo, que são usados quando as pragas e doenças já afetaram a produção”, explica a bióloga

De acordo com a especialista, o ideal é não esperar a doença entrar na plantação. “O produtor deve usar o que tem no estoque, conforme o clima, monitorando sempre o cultivo, para evitar que a doença entre. Em um momento de grande severidade da doença, o melhor produto do mercado terá eficácia reduzida”, aponta.

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