Algodão enfrenta volatilidade em NY, mas mantém demanda internacional
Boletim da Abrapa aponta volatilidade em NY, fatores altistas no mercado global e demanda firme por algodão brasileiro na Ásia
Demanda asiática sustenta o mercado físico de algodão, apesar da volatilidade na Bolsa de Nova York. Foto: Canva
O mercado internacional de algodão registrou forte volatilidade na última semana, com pressão sobre os vencimentos mais próximos na Bolsa de Nova York. A análise consta no Boletim de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Apesar do cenário mais instável em NY, o mercado físico apresentou sinais mais positivos. Negócios e tratativas avançaram com fiações da China, Vietnã e Paquistão, impulsionadas por preços mais atrativos no destino, especialmente para algodão brasileiro e americano.
O contrato julho/26 encerrou o dia 29 de janeiro cotado a 67,01 centavos de dólar por libra-peso, com leve alta de 0,1% frente à semana anterior. Já o contrato dezembro/26 fechou estável, a 68,98 centavos de dólar por libra-peso.
Fatores altistas sustentam o mercado internacional
Entre os principais fatores de sustentação, o boletim destaca a firmeza do mercado interno chinês. O China Cotton Index subiu para cerca de 16.100 yuans por tonelada, ampliando o prêmio sobre o Índice A para níveis próximos aos maiores desde 2021.
As importações da China também ganharam destaque. Em dezembro de 2025, o país importou cerca de 177 mil toneladas, sendo mais de 100 mil toneladas provenientes do Brasil. O acumulado da temporada já se aproxima de 550 mil toneladas.
Outro ponto positivo vem dos Estados Unidos. As exportações seguem robustas, com vendas líquidas semanais de aproximadamente 204 mil fardos e embarques recordes de 257 mil fardos na safra.
A demanda asiática pelo algodão brasileiro permanece ativa. Negócios recentes indicam preços entre 65 e 72 centavos de dólar por libra-peso CFR, mesmo com basis elevados, sinalizando confiança na qualidade e regularidade da oferta nacional.
Pressões baixistas e atenção ao curto prazo
Apesar dos fatores de sustentação, o boletim alerta para riscos no curto prazo. O contrato março/26 em Nova York atingiu nova mínima, refletindo posições vendidas expressivas por parte dos fundos e um quadro técnico ainda pressionado.
Projeções da Cotlook indicam leve aumento dos estoques globais em 2025/26. Na China, os estoques finais também devem crescer, mesmo com importações firmes.
Além disso, incertezas em importantes polos têxteis, como Bangladesh, Paquistão e Índia, podem limitar o consumo no curto prazo, diante de margens apertadas, questões políticas e custos financeiros elevados.
No Brasil, as exportações de algodão somaram cerca de 265 mil toneladas nas quatro primeiras semanas de janeiro, abaixo do volume registrado no mesmo período do ano passado. Já o beneficiamento da safra 2024/25 alcançou 99,03%, enquanto o plantio da safra 2025/26 atingiu 70,51% da área estimada.
