Centro-Sul deve ampliar excesso de oferta global de açúcar
Produção elevada no Brasil e cenário global excedentário devem manter preços do açúcar sob pressão nas próximas safras
Produção elevada no Centro-Sul brasileiro reforça cenário de excesso de oferta no mercado global de açúcar. Foto: Canva
O mercado global de açúcar segue estruturalmente excedentário, com o Brasil no centro da pressão baixista atual e futura. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, mesmo com premissas mais conservadoras para o mix produtivo, o reequilíbrio dos fluxos globais é pouco provável no curto prazo.
Os preços do açúcar permanecem há meses em uma faixa relativamente baixa, entre 14 e 15 centavos de dólar por libra-peso. Esse comportamento reflete o consenso do mercado sobre um saldo positivo entre oferta e demanda na temporada 2025/26, além de um comércio internacional também marcado por excesso de produto.
Brasil sustenta pressão sobre a oferta global
De acordo com Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, grande parte desse excedente vem do forte desempenho do Brasil, somado à melhora dos resultados no Hemisfério Norte. A safra 2025/26 do Centro-Sul brasileiro se aproxima do fim com produção robusta.
“Atualmente, estimamos cerca de 610 milhões de toneladas de cana, com um mix de açúcar de 50,6%, o que resulta em aproximadamente 40,5 milhões de toneladas de açúcar”, explica a analista.
Além do cenário atual, a Hedgepoint também observa sinais iniciais positivos para a safra 2026/27. Mesmo com dados ainda preliminares, padrões favoráveis de chuva e indicadores de saúde da vegetação sugerem mais um ano de oferta elevada.
“Nossas estimativas iniciais indicam que a moagem pode chegar a até 630 milhões de toneladas de cana”, afirma Coda.
Ajustes no mix e impacto nos preços
Com esse volume de matéria-prima, a consultoria projeta diferentes cenários para o mercado. No mais conservador, mantendo um mix de açúcar em 50,6%, a produção do Centro-Sul poderia alcançar cerca de 42,4 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 33,5 milhões de toneladas.
Nesse cenário, o excedente global poderia atingir aproximadamente 4 milhões de toneladas entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2027, reforçando a tendência de preços pressionados.
Para neutralizar esse excesso, o mix de açúcar precisaria recuar para cerca de 46,2%, o que implicaria maior produção de etanol. Contudo, ajustes operacionais e limitações de mercado tornam esse movimento mais difícil na prática.
Diante dessas restrições, a Hedgepoint considera mais provável um cenário intermediário, com mix de açúcar em torno de 48,6%. Nesse caso, o excedente global diminuiria, mas não seria totalmente eliminado, mantendo os preços próximos ao piso da temporada.
“Mesmo com alguma redução no excesso de oferta, a tendência segue sendo de preços pressionados, salvo a ocorrência de eventos extremos de clima ou geopolítica”, conclui a analista.
