O declínio acentuado das temperaturas e a redução do fotoperíodo (dias mais curtos), características consolidadas desde o início do outono e severamente agravadas nesta virada para o inverno, geram reflexos negativos na estrutura produtiva da bananicultura nacional. Pesquisadores da equipe de Hortifrúti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) apontam que esse cenário climático de estresse térmico comprometeu o desenvolvimento fisiológico das plantas, afetando o padrão comercial e restringindo a oferta física da banana variedade nanica nas praças produtoras de São Paulo.
O frio intenso desencadeou a incidência de chilling — uma desordem fisiológica que provoca o escurecimento precoce da casca da fruta devido à quebra de células superficiais pela baixa temperatura. Apesar de os lotes paulistas apresentarem uma estética menos atrativa ao consumidor final nas gôndolas, o volume disponível vem sendo integralmente absorvido pelas redes de distribuição. Essa liquidez é sustentada pelo fato de que polos concorrentes, como Santa Catarina, também enfrentam perdas drásticas de eficiência hídrico-térmica e limitação severa de oferta devido ao inverno rigoroso no Sul. O clima frio também desacelerou o metabolismo de maturação das plantas, atrasando a colheita no campo.
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Impacto diferenciado na variedade prata e preços
No segmento da banana variedade prata, o comportamento biológico frente à frente fria apresentou uma dinâmica distinta, conforme o relatório do Cepea. Em vez do dano estético observado na nanica, o frio atuou reduzindo o calibre (tamanho e peso) dos frutos, sem provocar o escurecimento ou avarias visuais na casca, mantendo o apelo comercial intacto para o varejo.
Essa redução generalizada no tamanho dos cachos encolheu a disponibilidade volumétrica de caixas da variedade prata nos centros de distribuição. Diante disso, mesmo com a demanda final de consumo operando em ritmo desaquecido — comportamento sazonal comum aos períodos de fechamento de mês, quando o poder de compra do consumidor recua —, a escassez de oferta atuou como o principal indexador de sustentação para os preços, forçando uma elevação nas cotações médias pagas ao produtor na porteira.
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