O comportamento dos mercados globais de commodities e a sazonalidade de oferta e demanda ditaram trajetórias opostas para os custos de produção no campo paulista. De acordo com o Relatório de Acompanhamento Mensal dos Preços de Insumos, elaborado pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) em parceria com o projeto Campo Futuro (CNA/Esalq-USP), o segmento de adubação registrou altas pontuais expressivas em junho.
O preço por tonelada da fórmula 20-00-20 subiu 16%, enquanto a formulação 05-25-25 avançou 15,5%. Segundo os analistas da Faesp, esse movimento reflete o impacto contínuo de tensões geopolíticas sobre a cadeia global de suprimentos, somado aos fretes marítimos e custos logísticos que se mantêm em patamares elevados para compostos importados.
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Em contrapartida, outros fertilizantes e corretivos de solo apresentaram alívio nos preços médios, com retração de 17,5% na tonelada do formulado 04-20-20, queda de 10,7% no corretivo calcítico e baixa de 8,4% no sulfato de amônio granulado, além de recuos no formulado 20-00-20 de 50 kg (-4,4%), no super simples granulado (-3,0%) e na ureia de 50 kg (-1,8%) — movimento de desvalorização decorrente da menor demanda doméstica sazonal e da normalização parcial dos fluxos de importação em determinadas rotas marítimas.
Petróleo e safra de cana puxam recuo nos combustíveis
No segmento de combustíveis e derivados, os custos operacionais de máquinas e frotas registraram desaceleração em junho. O etanol hidratado caiu 4,3%, favorecido pelo pico de moagem e aumento da oferta nas usinas do Centro-Sul, enquanto o óleo diesel recuou 2,7% e a gasolina cedeu 0,5%.
O alívio financeiro nas bombas foi viabilizado pelo tombo de 18% nas cotações internacionais do barril de petróleo entre maio e junho, gerando espaço para ajustes de preços nas refinarias e distribuidoras nacionais.
Pecuária tem alívio na alimentação e na sanidade animal
Para os pecuaristas, o cenário de custos trouxe fôlego ao caixa. O preço médio da saca de 60 kg de milho em grão recuou 3,0% no atacado paulista, barateando a formulação de rações em confinamentos e granjas.
Na linha de saúde e sanidade animal, os defensivos e medicamentos antiparasitários também registraram quedas relevantes, com retração de 19,0% no Fluralaner Pour-on (5L) e recuo de 8,1% no Levamisol.
O relatório técnico associa a redução desses insumos veterinários ao comportamento sazonal do período: em junho, com temperaturas mais amenas e clima seco no Sudeste, a incidência biológica de parasitas nos rebanhos diminui, desacelerando a demanda de compra dos pecuaristas nas revendas agropecuárias.
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