A olivicultura brasileira atingiu um marco produtivo histórico em 2026 ao alcançar 1,434 milhão de litros de azeite de oliva extravirgem, volume apresentado pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) durante coletiva de imprensa realizada na 49ª Expointer, em Esteio (RS). O setor conta atualmente com uma estrutura de 77 lagares industriais ativos e mais de 620 olivicultores distribuídos por cerca de 280 municípios em oito estados.
O Rio Grande do Sul mantém a hegemonia absoluta da atividade no país, respondendo por 81% de todo o azeite envasado nacionalmente. O território gaúcho concentra 7,1 mil hectares cultivados — cerca de 69% dos 10,3 mil hectares plantados no Brasil —, com destaque para os polos de Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul, municípios que reúnem 390 produtores e os principais investimentos em tecnologia de extração a frio.
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Manejo técnico contra a instabilidade climática
De acordo com o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, o recorde produtivo consolidou-se após duas safras severamente prejudicadas pelo excesso de chuvas no Sul. O salto volumétrico registrado com uma área plantada relativamente estável evidencia que o avanço decorre da melhoria no manejo fitossanitário dos pomares, da adaptação técnica às variações meteorológicas e do ganho de precisão nas etapas de colheita e processamento imediato dos frutos.
Diante da previsão de primaveras mais chuvosas e da bienalidade das oliveiras, a entidade projeta um ciclo mais comedido para 2027. Para conter as oscilações de oferta entre safras, o setor intensificará acordos de cooperação científica com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), focando em pesquisas de mitigação de estresse climático e estabilização de produtividade por hectare.
Combate a fraudes em importados e venda cooperativada
O instituto reforçou que manterá vigilância ativa junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na fiscalização de azeites importados. Laudos técnicos emitidos em agosto comprovaram que diversos lotes estrangeiros comercializados como extravirgem não cumpriam os padrões de conformidade física e química, gerando concorrência desleal com o produto nacional, em um mercado cuja alíquota de importação para a categoria extravirgem foi zerada pelo governo federal em março de 2025.
Para ampliar o acesso do consumidor e fortalecer a competitividade da cadeia doméstica, o Ibraoliva aposta no estímulo à venda cooperativada entre marcas e em campanhas de valorização da pureza e do frescor do azeite brasileiro. Além da consolidação gaúcha, a entidade destacou a maturidade do segundo polo produtivo nacional, situado na Serra da Mantiqueira (MG, SP e RJ), e o potencial de expansão em Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo.
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