A triticultura do Mercosul caminha para um ano de forte aperto na disponibilidade do grão. Dados do boletim TF Agroeconômica indicam que o volume total de trigo disponível no bloco registrará uma queda expressiva de 22,7%, encolhendo de 38,3 milhões para 29,6 milhões de toneladas na temporada. O grande responsável pelo recuo é a Argentina, principal fornecedora do mercado brasileiro, cuja produção projetada sofreu um corte severo de 24,8%.
O cenário de escassez regional se conecta a um ambiente de extrema tensão no comércio global. Na Ucrânia, os constantes ataques militares contra a infraestrutura portuária do Mar Negro ameaçam cortar em até 53% as exportações de trigo do país. Ao mesmo tempo, consultorias internacionais como SovEcon e IKAR reduziram as estimativas para as safras e embarques da Rússia, eliminando a folga de estoques que costumava balizar os preços mundiais.
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Paraná caminha para déficit histórico de matéria-prima
Para a indústria moageira brasileira, os reflexos operacionais já começam a aparecer. Projeções de analistas privados apontam que o estado do Paraná enfrentará em 2027 o maior déficit de matéria-prima de sua história, sendo forçado a importar entre 1,5 e 1,6 milhão de toneladas do cereal para suprir a demanda interna.
Com o trigo local escasso e a safra nova rodando em ritmo lento devido aos receios climáticos no Sul do Brasil, a dependência dos desembarques nos portos cresce:
Paridade de importação: o trigo argentino posto nos moinhos brasileiros atinge valores médios entre R$ 1.570 e R$ 1.630 por tonelada.
Trigo de fora do bloco: lotes dos Estados Unidos e da Europa encarecem ainda mais com a incidência do frete marítimo, da Tarifa Externa Comum (TEC de 10%) e da alta do dólar.
Gargalo nas farinhas: moinhos relatam forte descompasso entre o custo do grão e o valor de venda da farinha no atacado. O único subproduto que apresenta margem positiva e alta na procura é o farelo de trigo, que registra escassez nas praças do Sul e Sudeste.
Além do aperto de oferta, o custo de produção dentro da porteira registrou avanço. Levantamentos do Deral/SEAB compilados pela TF Agroeconômica mostram que o custo de produção por hectare no Paraná subiu para R$ 6.680,10, elevando o custo variável de cada saca de 60 kg para R$ 80,49.
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