A colheita de trigo da safra 2026 nos estados do Sul do Brasil depara-se com um quadro crítico de deterioração qualitativa. As precipitações contínuas, acompanhadas por granizo e elevada humidade relativa do ar nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul e do Paraná, comprometeram as características tecnológicas dos lotes. Com o avanço de doenças fúngicas de espiga — como a giberela e a brusone —, somado a baixos índices de peso hectolítrico (PH) e falling number, a disponibilidade de trigo de qualidade superior (Tipo 1) tornou-se praticamente nula no mercado físico regional.
No Rio Grande do Sul, a colheita evoluiu de forma bastante lenta, alcançando cerca de 1,5% da área. As análises laboratoriais dos primeiros volumes colhidos apontam PH entre 75 e 77 e umidade elevada (entre 20% e 24%), mantendo o setor em alerta. Em território paranaense, onde os trabalhos de colheita atingiram 53%, grande parte das áreas no Norte e Oeste colheu grãos germinados na espiga ou com padrão de moagem desajustado, levando os produtores a renegociar contratos prévios e os moinhos a ampliarem tabelas de desconto por desclassificação.
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Escassez de trigo de qualidade sustenta preços no Brasil
Diante do esgotamento da safra velha e da falta de lotes novos aptos para panificação, a indústria moageira voltou-se de forma incisiva para a originação externa. A recuperação do câmbio em torno de R$ 5,01 por dólar consolidou a paridade de importação favorável ao produto estrangeiro:
Rio Grande do Sul: O trigo nacional disponível para entrega no interior estabilizou-se em torno de R$ 1.550,00 por tonelada, enquanto o trigo argentino spot entra nos moinhos gaúchos a uma média CIF de R$ 1.595,29/t e o produto uruguaio a R$ 1.550,31/t;
Paraná: Com ofertas domésticas de Tipo 1 escassas e cotadas a R$ 1.600,00 FOB, o trigo paraguaio posto moinho alcança R$ 1.580,32/t e o cereal argentino chega com referência de R$ 1.662,80/t;
Santa Catarina: Moinhos locais enfrentam desabastecimento de trigo de força e recorrem a cargas argentinas (R$ 1.630,29/t CIF) e paraguaias (R$ 1.625,33/t CIF), aplicando reajustes de 11,5% nas tabelas de farinhas para recompor margens.
Com o cereal vizinho mais competitivo e os terminais portuários com programação ativa de desembarques, o teto para os preços domésticos do trigo nacional passou a ser limitado pela cotação do produto importado.
