A cultura da soja passou a integrar o Programa de Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural Estadual do Paraná, operacionalizado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) por meio do Departamento de Economia Rural (Deral). A medida foi oficializada pela Resolução nº 114/2026 e destinou quase R$ 7,6 milhões exclusivamente para apoiar a contratação de apólices da oleaginosa, dentro de um orçamento global de R$ 22 milhões liberado para diversas atividades agropecuárias neste ano.
A demanda pelo benefício resultou no esgotamento imediato dos valores: apenas no mês de agosto, produtores rurais contrataram quase 3,1 mil apólices de soja, consumindo a totalidade do recurso disponibilizado para a cultura nesta temporada.
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A inclusão da oleaginosa responde a uma necessidade estratégica de gestão de risco. A soja representa quase 20% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná — montante que gira em torno de R$ 42 bilhões —, mas vinha acumulando perdas severas em safras recentes decorrentes de estiagens prolongadas, anomalias de precipitação e oscilações fitossanitárias.
O diretor do Deral, Marcelo Garrido, destaca que a medida fortalece a estabilidade financeira no campo:
"A medida é fundamental para proteger os produtores contra quebras de safra e prevenir o endividamento. Além de reduzir o custo da apólice, a inclusão da oleaginosa facilita o acesso ao crédito agrícola, assegurando a continuidade dos negócios no campo mesmo diante de anos adversos", ressalta Garrido.
Histórico do programa e propostas de expansão orçamentária
Criado originalmente em 2009 pela Lei Estadual nº 16.166 com o objetivo inicial de fomentar a triticultura e mitigar a dependência externa de grãos de inverno, o seguro rural paranaense opera de forma complementar à política federal de subvenção. A estrutura financeira é administrada pela Fomento Paraná, com adesão voluntária das companhias seguradoras credenciadas.
Desde a sua fundação até 2026, o programa estadual já destinou R$ 112,7 milhões em subvenções, cobrindo uma área acumulada de aproximadamente 5,2 milhões de hectares. No exercício de 2026, dos R$ 22 milhões disponibilizados, 99,18% foram efetivamente contratados em 7.769 apólices, garantindo a cobertura de 341 mil hectares de culturas agrícolas, pomares, aquicultura e pecuária.
Diante do esgotamento acelerado do montante para a soja, lideranças do setor produtivo já trabalham para que a gestão estadual promova um salto nos aportes orçamentários a partir de 2027.
Entre as diretrizes sugeridas para o fortalecimento da política pública estão:
Ampliação progressiva e plurianual dos recursos orçamentários do Estado;
Vinculação parcial de receitas tributárias do agro ou fundos específicos ao programa;
Estabelecimento de travas e tetos financeiros prévios por cultura para evitar concentração precoce;
Criação de critérios de prioridade baseados em zoneamento e histórico de risco climático regional;
Modernização operacional e tecnológica nos processos de homologação junto às seguradoras.
