Segundo boletim de mercado divulgado pela Granoeste Corretora nesta terça-feira, as cotações futuras da soja operam em terreno positivo na Bolsa de Mercadorias de Chicago, registrando valorização de 8 pontos com o vencimento para novembro cotado a US$ 12,49 por bushel. O movimento reflete uma tentativa de recuperação técnica e recomposição de carteiras por parte de fundos e investidores, após uma sequência de perdas que derrubou os contratos em cerca de 4% desde o início do mês, somada ao recuo de 14 a 16 centavos registrado no pregão anterior.
Apesar da reação pontual, os analistas da Granoeste Corretora ponderam que o panorama geral continua pressionado pela perspectiva de ampla oferta global. Nos Estados Unidos, os trabalhos de colheita alcançaram 79% da área total estimada, com avanço semanal expressivo de 15 pontos percentuais, mantendo-se à frente da média histórica de 77% para este período do ano.
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Semeadura ganha ritmo acelerado nas lavouras do Brasil
Em território brasileiro, as plantadeiras avançam com intensidade nas principais regiões agrícolas. De acordo com levantamento da consultoria Safras Mercado, a semeadura da safra nacional de soja atingiu 42,3% da área estimada, superando tanto os 34,1% registrados em igual período da temporada anterior quanto a média histórica de 41%. O progresso no campo somou 13 pontos percentuais no intervalo de apenas uma semana.
O principal destaque do ritmo de campo ocorre em Mato Grosso. Dados apurados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que os produtores locais já concluíram o plantio em 75,8% da área prevista, após um salto de 24 pontos percentuais nos últimos sete dias. O índice supera com folga os 60% observados no mesmo estágio de 2025.
Câmbio turbulento e liquidez travada nas praças físicas
No ambiente financeiro doméstico, o pós-eleição foi marcado por forte instabilidade macroeconômica, com desvalorização cambial superior a 8% do Real em um único pregão e recuo de quase 14% no Ibovespa. Os agentes de mercado precificam riscos de desequilíbrio nas contas públicas, ausência de reformas fiscais estruturais e a manutenção de taxas de juros elevadas aliadas à pressão por aumento de impostos.
A disparada das cotações cambiais acelerou a marcação das referências de preço nos portos e cooperativas, mas não se traduziu em liquidez. A oferta física permanece escassa no interior, e os poucos lotes disponibilizados pelos agricultores chegam com pedidas muito acima das tabelas de compra apresentadas pelas tradings, travando o ritmo das comercializações.
No mercado de balcão do oeste do Paraná, as indicações de compra oscilam entre R$ 148,00 e R$ 150,00 por saca, enquanto no porto de Paranaguá os valores giram entre R$ 158,00 e R$ 161,00, a depender dos prazos de liquidação, do local da fazenda e do período de entrega acordado. Na estrutura de prêmios de exportação, o mercado spot opera entre 135 e 160 pontos sobre Chicago, com o contrato de dezembro cotado de 145 a 175 pontos e o vencimento de janeiro indicado na faixa de 60 a 100 pontos.
