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Diesel dispara até R$ 2,50 no Paraná e ameaça colheita

Foto do autor Francieli Galo
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Diesel dispara até R$ 2,50 no Paraná e ameaça colheita
O diesel é o principal combustível utilizado na agropecuária e na logística de escoamento da produção

Alta do diesel chega a R$ 2,50 em algumas regiões do Paraná e ameaça encarecer a colheita da soja, preocupando produtores rurais

De acordo com o Paranapetro, o preço do diesel pago pelas distribuidoras já registra aumentos superiores a R$ 1,00 por litro desde a última semana. Já especialistas da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) relatam casos de produtores pagando até R$ 2,50 a mais no combustível no interior do Estado.

A alta, associada às tensões no Oriente Médio, começa a preocupar produtores rurais e pode elevar os custos de produção e transporte no agronegócio brasileiro. A Petrobrás anunciou reajuste e o aumento do litro de diesel pode chegar a R$ 0,32 nos postos de combustíveis.

Segundo Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, a situação está ligada ao cenário internacional, especialmente às tensões no Oriente Médio, que influenciam o mercado de combustíveis. “O conflito no Oriente Médio já está impactando a nossa agropecuária aqui no Paraná. Temos relatos do interior de aumento de R$ 2,50 no litro do diesel, além de falta do produto em alguns locais”, afirma.

De acordo com o Paranapetro, as distribuidoras já vêm repassando aumentos expressivos ao mercado. Como o diesel é o principal combustível utilizado na agropecuária e na logística de escoamento da produção, a tendência é que o impacto chegue rapidamente ao campo e, consequentemente, ao preço final dos alimentos.

Empresas do setor apontam que a instabilidade internacional influencia diretamente o mercado brasileiro. O país ainda depende de importações para suprir parte da demanda, já que não é autossuficiente no refino de combustíveis, o que torna os preços mais sensíveis a crises externas.

Dependência energética no campo

O peso do diesel na atividade rural é significativo. Levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP mostra que 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira vem de combustíveis fósseis, principalmente o diesel. O combustível movimenta tratores, colheitadeiras e outros equipamentos agrícolas, além de sustentar boa parte da logística de transporte da produção. Por isso, qualquer variação no preço tende a ser rapidamente sentida pelo setor.

Além do uso dentro das propriedades, o diesel é fundamental para o escoamento da safra. No Brasil, mais de 60% das cargas são transportadas por rodovias, incluindo grãos, fertilizantes, ração e outros insumos usados na produção agropecuária.

Impacto direto na colheita da soja

O problema surge em um momento estratégico para o campo. Com a colheita da soja avançando, a demanda por combustível é elevada, já que máquinas agrícolas operam intensamente nas lavouras e no transporte da produção. “Esse aumento e a escassez do diesel chegam em um momento muito importante da agropecuária. As máquinas estão no campo colhendo a soja e plantando milho, e a falta de combustível pode comprometer operações e até a qualidade da produção”, explica Luiz Eliezer Ferreira.

De acordo com o último acompanhamento de safra divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da soja da safra 2025/26 já alcançou 50,6% da área plantada no Brasil.

Repasse do custo e reflexo no varejo

Outro fator que preocupa o setor é a dificuldade de repassar o aumento de custos. No caso da soja, por exemplo, o valor pago ao produtor é definido pelo mercado internacional, o que limita a capacidade de compensar gastos maiores com insumos e logística. “O produtor é tomador de preço. O valor da soja é formado no mercado internacional, então ele não consegue transferir esse aumento do diesel para o preço do produto que entrega à cooperativa ou à indústria”, afirma Ferreira.

Porém, segundo Ferreira, o encarecimento do combustível tende a se espalhar por toda a cadeia produtiva. “Esse aumento deve permear toda a cadeia. Em algum momento, transportadores e indústrias que tiverem aumento de custo com diesel acabam repassando isso para os próximos elos, até chegar ao consumidor final, explica”.

Setor propõe medidas para reduzir impacto

Diante do cenário, entidades do agronegócio vêm discutindo alternativas para reduzir a dependência externa e evitar problemas de abastecimento. Uma das iniciativas foi um manifesto assinado por diferentes setores do agro que propõe ao governo federal o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 17% (B17). O documento foi elaborado pelo Instituto Pensar Agropecuária (IPA).

Segundo as entidades, a medida pode fortalecer a segurança energética do país, reduzir riscos de desabastecimento e aumentar a previsibilidade para produtores rurais, especialmente em um momento estratégico para o escoamento da safra.

Outra frente de atuação envolve a carga tributária sobre o combustível. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) a redução temporária de tributos federais e estaduais incidentes sobre o diesel.

Entre os impostos citados estão PIS, Pasep e Cofins, que juntos representam cerca de 10,5% do valor do combustível, além do ICMS, cuja participação média pode chegar a 38,4% do preço final.

Para o setor, a redução temporária dessas taxas poderia amenizar os efeitos da alta internacional e evitar um aumento ainda maior nos custos da produção agropecuária.

Orientação para produtores

O Sistema FAEP orienta produtores rurais e sindicatos rurais a denunciarem aumentos considerados abusivos no preço do combustível.A recomendação é que os casos sejam comunicados aos órgãos de defesa do consumidor. Segundo o técnico, não houve reajuste recente no preço do diesel pela Petrobras, o que levanta questionamentos sobre os repasses feitos por distribuidores.