O mercado de feijão carioca iniciou o mês de agosto mantendo a trajetória de queda nas principais praças produtoras do País. A movimentação altista da oferta é impulsionada pela intensificação dos trabalhos de colheita nas áreas irrigadas da terceira safra, que ampliou a disponibilidade do grão novo no mercado atacadista.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o impacto das baixas atinge com mais força os lotes comerciais de maior apelo visual e excelente qualidade, embora as mercadorias de padrão intermediário também venham registrando recuos sucessivos nas tabelas de preços.
Entrada da 3ª safra de feijão pressiona cotações do carioca em julho
Colheita no cerrado avança e queda do preço do feijão carioca se intensifica
A continuidade da retração das cotações gera um ambiente de cautela entre as empacotadoras e redes varejistas, que operam comprando apenas o estritamente necessário para abastecer as gôndolas, aguardando novas quedas.
Mudança de estratégia no campo
Do lado da porteira, a queda nas margens financeiras começou a alterar o ritmo das negociações. Nas semanas anteriores, a estratégia dominante entre os irrigantes era acelerar a desova da produção para gerar caixa imediato. Agora, diante de preços considerados insatisfatórios, cresce o número de agricultores que analisam reter a produção e utilizar estruturas de armazenamento para negociar o grão em momentos de melhor liquidez.
Entretanto, o Cepea ressalta que essa mudança de postura encontra limites no aperto financeiro de parcela dos produtores. Como muitos agricultores ainda enfrentam compromissos de curto prazo para honrar, a necessidade de caixa continua forçando a venda de lotes mesmo sob cotações depreciadas, fator que impede a reação dos preços no curto prazo.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
